Língua PortuguesaModalização e marcas de subjetividadeVunesp 2008
FUNDUNESP
Questão de Língua Portuguesa
O rádio que vivi O rádio, antes, era o locutor chegando com voz quente até o ouvinte, o locutor embalava as fantasias de moças e senhoras da mesma forma que, hoje, Tarcísio Meira as umedece. E sem falar nada com conteúdo. À sedução, bastava o timbre grave, musical. Se, de fato, tentasse comunicar-se, a ilusão se desfazia, o mistério fugia. Apareceu o rádio-teatro, o locutor para linha de fundo. O locutor brasileiro nasceu da voz de César Ladeira, plena de "erres" iniciais carregados, copiados dos argentinos que os empregam só para distingui-los dos "agás" aspirados do espanhol, penso eu. A voz de César Ladeira já era a mensagem em si – sem pensar em MacLuhan. Ele começava na Mayrink Veiga do Rio, depois da Hora do Brasil, e enfiava propaganda e cantores durante duas horas. Às 22 horas, surgia do fundo da noite um seu imitador, acho que Sílvio Júnior, e anunciava uma peça de rádio-teatro com César Ladeira e Cordélia Ferreira. Eu me impressionava e ia dormir com a cabeça a doer de fantasias. A programação da Tupi de São Paulo era animada pelo locutor Homero Silva – de onde se originou a voz de Cid Moreira. Faziam locução comercial Alfredo Nagib e Armando Motta. Depois veio a Rádio Nacional do Rio e acabou com o rádio de amadores. Como uma bomba atômica, varreu o Brasil todo. Rádio-teatro, orquestras, cantores e locutores da linha de frente. Marcaram-me vários locutores. Ísis de Oliveira era a principal dama-galã, e Paulo Gracindo e Celso Guimarães, os galãs. A Nacional ensinou o Brasil a fazer rádio. Peguei-a na decadência no início dos anos 70, sem rádio-teatro, músicos, cantores. Nunca mais, nunca mais. (www.pucrs.br/famecos/vozesrad/a_carlos_resende_artigo.html. Adaptado)
Ao apresentar algumas informações no segundo parágrafo, o autor emprega “penso eu” e “acho”. Essas ocorrências denotam que ele
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

