Língua PortuguesaFato e opiniãoCebraspe 2010
SEFAZ ES
Questão de Língua Portuguesa
Jornais, manchetes e números: sejamos sempre um pouco desconfiados... Jornais — impressos ou eletrônicos — costumam, 1 periodicamente, “retratar” o desempenho da economia e do governo. Para isso, precisam trabalhar com medidas, indicadores quantitativos. Contudo, os indicadores que 4 construímos (nós ou eles) não são neutros, não são independentes do lugar em que estamos, na sociedade. E não 7 são independentes do rumo que pretendemos dar à sociedade — o nosso projeto, a nossa ideologia. Faz tempo que estava amadurecendo a polêmica sobre 10 esses indicadores — crescimento econômico e emprego. Há poucos meses, no caderno de economia do jornal O Estado de S.Paulo, um artigo de colunista oficial do jornal, bastante 13 conservadora, criticava o desempenho da economia e do governo, afirmando, por exemplo, que a economia ia mal e o desemprego crescia. Na mesma edição, mas em outro caderno, 16 um romancista e colunista de jornais e revistas, João Ubaldo Ribeiro, dizia algo similar: nada crescia no Brasil, a não ser os impostos. O assombroso é que a principal matéria desse 19 caderno de economia, nessa mesma edição do Estadão, com grande destaque, era algo assim: Cresce o emprego (e emprego formal), e a massa salarial aumenta na velocidade de 30 bi por 22 mês. O leitor desconfiado perguntaria: o que aconteceu? Os colunistas não leem o próprio jornal? Não, não é isso. 25 A colunista não estava produzindo informação, estava produzindo uma intervenção no debate, uma intervenção motivada, uma informação interessada, motivada pela sua posição política. E o romancista estava se referindo, 28 implicitamente, à Medida Provisória (MP) nº 232, que aumentaria impostos para as tais “empresas prestadoras de serviços”, nas quais, provavelmente, ele iria ser enquadrado. 31 Nada mais natural que esperneiem e que vejam o mundo de outra maneira. É uma percepção do mundo, marcada pelo lugar 34 em que eles estão e pelos fatos que percorrem sua existência diária. A MP nº 232, tão surrada pela mídia, diminuía o 37 imposto de renda (IR) para os assalariados e pensionistas e, proporcionalmente, aumentava o imposto das tais empresas. Essas, nos últimos anos, tinham sido o dispositivo pelo qual 40 empresas e funcionários qualificados tinham empreendido a terceirização do assalariado, com significativa redução de carga tributária. Algum jornal tocou nessa relação? Não se fala 43 de corda em casa de enforcado. Regis Moraes. Internet: <www.piratininga.org.br> (com adaptações).
Julgue os itens de 1 a 6, acerca das propriedades textuais e gramaticais do texto acima. De acordo com o autor, a colunista do caderno de economia havia lido as matérias escritas pelos colegas de jornal e se opunha a eles, mas eles não tiveram acesso à opinião da colega antes da publicação e da veiculação do jornal.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

