Língua PortuguesaVícios de linguagemUNESC 2025
Pref Campos Novos
Questão de Língua Portuguesa
Não espalha Prendemo-nos ao "eu te amo" como se fosse uma convenção inadiável, uma etiqueta implacável. Seu pronunciamento é uma sentença obrigatória, uma sondagem diária da fidelidade. Há aqueles que não saem de casa se o cônjuge não retribui as palavrinhas mágicas. Não sou adepto dessa birra e chantagem com Beatriz. Que ela simplesmente me ame, sem depender de provas, sem se ver ameaçada por testes quantitativos. Circula uma tirania de que precisamos falar sempre, para que a companhia não tenha dúvidas daquilo que sentimos. Mas a jura não é tão importante quanto demonstrar amor. E você pode expressar o carinho silenciosamente, a lealdade secretamente. Ou seja, é preferível proteger, confiar e selar a empatia em atos de confluência a gritar votos aos quatro ventos. O que vale é agir amorosamente, é se preocupar amorosamente, é se interessar pelo outro, é suprir o seu par com atenção, é trocar a saudade pela gentileza. E, de repente, quem ama muito nem diz "eu te amo", economiza no "eu te amo", porém é abundante na prática da reciprocidade. É alguém que não se nega a estar perto, acessível, consciente de sua influência. Temos que observar mais o exemplo do que as declarações: se a pessoa admira você, se a pessoa incentiva você, se a pessoa elogia você, se a pessoa ampara você, se a pessoa escuta você. Esse arcabouço de comportamentos deve prevalecer no romance. Não queira que o seu parceiro diga a todo momento o que ele mesmo já realiza naturalmente. É redundância. Recordo um diálogo que vivi com a minha filha, quando ela tinha 11 anos. Na hora de dar boa-noite, reparei que ela estava encabulada e arredia comigo. Tentei me aproximar. − O que houve? − Eu não sei se te amo. Não sei o que é amor − ela me disse. Não me senti mal. Não me senti desvalorizado. Quem nunca se perguntou isso? Há dias em que parece que você ama mais. Há dias em que parece que você ama menos. Há dias em que você se esquece de amar. Há dias em que você ama em dobro. Lembro que fiz carinho na sua cabeça, cantei "O Leãozinho", de Caetano, e permaneci ao seu lado até que adormecesse. Quando jurei que ela já tinha apagado e não estava mais me ouvindo, confidenciei: − Amar é só gostar de ficar junto, filha. Ela, inesperadamente, respondeu: 3 − Então, eu te amo, pai, mas não espalha. Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/11/29/naoespalha
Considere o seguinte trecho do texto adaptado de Fabrício Carpinejar: "E, de repente, quem ama muito nem diz 'eu te amo', economiza no 'eu te amo', porém é abundante na prática da reciprocidade." Com base nos estudos sobre vícios de linguagem, analise a construção da frase e assinale a alternativa correta:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

