Língua PortuguesaFinalidade do texto e intenção do autorPGP UFV 2014
UFV
Questão de Língua Portuguesa
Língua Portuguesa (Questões de 01 a 15) Conhecimentos Específicos (Questões de 16 a 40) ATENÇÃO: LEIA AS INSTRUÇÕES atentamente ANTES de iniciar a prova. São de inteira responsabilidade do candidato os eventuais prejuízos decorrentes do não-cumprimento das instruções. VERIFIQUE se as questões deste caderno estão numeradas de 01 a 40 e distribuídas entre os conteúdos da forma apresentada acima. Caso haja algum problema, solicite a substituição do caderno. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- CONFIRA o seu nome e número de inscrição. Caso haja algum problema, solicite a assistência do fiscal. ASSINE, A TINTA, no espaço adequado. ASSINATURA LÍNGUA PORTUGUESA – QUESTÕES DE 01 A 15 1 Me engana que eu gosto por Luis Giffoni, 12 de dezembro de 2012. § 1 No século XIX, o explorador inglês sir Richard Burton, em visita a Minas Gerais, constatou que os mineiros, quando lesados numa conta, não tinham coragem de reclamar: pagavam o que não deviam e saíam resmungando pela rua. Burton não entendia o motivo de nossa passividade. Por que não reagíamos? No século XXI, continuamos na mesma. Enquanto consumidores, pagamos mais do que deveríamos por muita coisa e preferimos destilar a raiva com muito discurso e pouca ação. § 2 Consideremos o preço dos carros. Desembolsamos um absurdo, em comparação aos países ricos. Nos Estados Unidos, por exemplo, um SUV 2012 japonês custa o equivalente a 60.000 reais, impostos e lucro incluídos, enquanto aqui sai por 160.000 reais. Mesmo com as taxas de importação, nosso preço só se justifica se houver uma exorbitância de lucro embutido. Quando indaguei a um concessionário o motivo de tamanha discrepância, ele candidamente me respondeu que, no exterior, por causa da concorrência, a marca leva prejuízo, então resolveram descontar na gente, pois aceitamos tudo sem reclamar. Sim, somos bobos reconhecidos mundo afora. § 3 Ao cotejar o preço de um modelo nacional com o equivalente norte-americano, descobri que aqui, com IPI reduzido, ele custa mais que o dobro, embora tenha menos equipamentos. Bobos de novo? O que dizer das taxas de financiamento? As nossas ainda são altas, a ponto de banqueiros internacionais terem declarado que nosso país é um paraíso. Para eles, é claro. Para quem precisa de empréstimo, vira uma tortura. Transforma-se em inferno quando se financia o cartão de crédito. As taxas alcançam 13,4% ao mês, diante de uma inflação de 5,5% ao ano. Seria isso outra de nossas bobeiras ou a usura legalizada? § 4 Nas coisas miúdas também somos enganados. Sabe aquela inocente sopinha desidratada que infesta as gôndolas dos supermercados? Se você tiver pressão alta, cuidado. Examine bem o conteúdo dos envelopes. Alguns contêm sal suficiente para um dia inteiro. Em caso de regime de emagrecimento, olho vivo nos pães ditos lights. Vários adotaram o artifício de diminuir o peso da fatia. As calorias por grama quase não mudaram. § 5 Nos ônibus de BH, já vi propaganda de escolas oferecendo livros, apostilas ou tablets de graça aos alunos. Obviamente o custo desses materiais está embutido na mensalidade, mas a realidade não transparece nos anúncios. Falando de escola, e o ensino brasileiro, hein? Foi divulgado que, entre quarenta países, só existe um em pior situação que o nosso, a Indonésia. Somos vice-campeões mundiais em má qualidade de educação. Nossos governos querem nos transformar em bobos eternos? § 6 O que dizer dos celulares? Além da notória falta de sinal, pagamos mais caro do que, por exemplo, os ingleses. Na verdade, muito mais caro. Por 40 reais por mês, lá se compram 500 minutos de ligações mais 3G ilimitado, além de um celular de última geração. Aqui, o mesmo serviço sai por apenas 600% a mais. Telefonar de Londres para o Brasil, de telefone fixo para fixo, custa menos do que uma chamada local em BH. § 7 Qual é a solução para os abusos? Os mesmos americanos e ingleses — que pagam menos, embora ganhem mais — nos ensinaram o caminho. Alguns anos atrás, o preço de nosso café subiu muito. Eles simplesmente pararam de tomar a bebida até que nos vimos obrigados a reduzir o valor da saca de exportação. Temos ânimo para iniciativas semelhantes? Richard Burton, que falava 29 línguas, traduziu e divulgou, no Ocidente, As Mil e Uma Noites. Ele tinha razão. No século XIX, não reagíamos quando lesados. O problema é que, mil e uma noites depois, as Sherazades de plantão continuam a nos engambelar com suas histórias da carochinha, e nós seguimos na velha toada: me engana que eu gosto, me engana que eu gosto... (Disponível em: http://vejabh.abril.com.br/edicoes/luis-giffoni-vejabh-me-engana-eu-gosto 25698.shtml. Acesso em: 27 fev. 2014. Adaptado.)
O objetivo comunicativo do texto é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


