Questões de Língua Portuguesa · INSTITUTO MAIS

Língua PortuguesaPontuaçãoINSTITUTO MAIS 2021

SETEC Campinas

Questão de Língua Portuguesa

Lar desfeito José e Maria estavam casados há 20 anos e eram muito felizes um com o outro. Tão felizes que um dia, na mesa, a filha mais velha reclamou: - Vocês nunca brigam? José e Maria se entreolharam. José respondeu: - Não, minha filha. Sua mãe e eu não brigamos. - Nunca brigaram? - quis saber Vitor, o filho do meio. - Claro que já brigamos. Mas sempre fizemos as pazes. - Na verdade, briga, mesmo, nunca teve. Desentendimentos, como todo mundo. Mas sempre nos demos muito bem... - Coisa mais chata - disse Venancinho, o menor. Vera, a filha mais velha, tinha uma amiga, Nora, que a deixava fascinada com suas histórias de casa. Os pais de Nora viviam brigando. Era um drama. Nora contava tudo para Vera. Às vezes chorava. Vera consolava a amiga. Mas no fundo tinha uma certa inveja. Nora era infeliz. Devia ser bacana ser infeliz assim. O sonho de Vera era ter um problema em casa para poder ser revoltada como Nora. Ter olheiras como Nora. Vitor, o filho do meio, frequentava muito a casa de Sérgio, seu melhor amigo. Os pais de Sérgio estavam separados. O pai de Sérgio tinha um dia certo para sair com ele. Domingo. Iam ao parque de diversões, ao cinema, ao futebol. O pai de Sérgio namorava uma moça do teatro. E a mãe de Sérgio recebia visitas de um senhor muito camarada que sempre trazia presentes para Sérgio. Venancinho, o filho menor, também tinha amigos com problemas em casa. A mãe do Haroldo, por exemplo, tinha se divorciado do pai do Haroldo e casado com um cara divorciado. O padrasto de Haroldo tinha uma filha de 11 anos que podia tocar o Danúbio Azul espremendo uma das mãos na axila, o que deixava a mãe de Haroldo louca. A mãe do Harqldo gritava muito com o marido. Bacana. - Eu não aguento mais esta situação - disse Vera, na mesa. - Que situação, minha filha? - Essa felicidade de vocês! - Vocês deviam ter o cuidado de não fazer isso na nossa frente - disse Vitor. - Mas nós não fazemos nada! - Exatamente. Venancinho bateu com o talher na mesa e reivindicava: - Briga. Briga. Briga. José e Maria concordavam que aquilo não podia continuar. Precisavam pensar nas crianças. Antes de mais nada, nas crianças. Manteriam uma fachada de desacordo, ódio e desconfiança na frente deles, para esconder a harmonia. Não seria fácil. Inventariam coisas. Trocariam acusações fictícias e insultos. Tudo para não traumatizar os filhos. - Vibora, não! - gritou Maria, começando a erguer-se do seu lugar na mesa com a faca serrilhada na mão. (Luis Fernando Verissimo)

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa e quanto à pontuação, assinale a alternativa correta.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.