Questões de Língua Portuguesa · COPERVE UFPB

Língua PortuguesaInterpretação de textosCOPERVE UFPB 2007

MPE PB

Questão de Língua Portuguesa

CONCURSO PÚBLICO MINISTÉRIO PÚBLICO DA PARAÍBA CARGO: TÉCNICO DE PROMOTORIA – ANÁLISE DE SISTEMAS – PROGRAMADOR Para responder às questões de 1 a 10, leia o texto abaixo. O Preço da Ignorância AO LONGO DOS ÚLTIMOS ANOS, os melhores cérebros do país têm buscado compreender as razões que levaram o Brasil, no passado apontado como uma nação fadada ao sucesso, a transformar-se numa espécie de lanterninha na corrida global pela prosperidade. Um grupo de pesquisadores do Banco Mundial acaba de fornecer uma peça-chave para decifrar parte da questão. O banco concluiu um alentado estudo, ao qual EXAME teve acesso, sobre 5 as condições dos principais países emergentes para inserir-se na sociedade do conhecimento, considerada o estágio mais avançado do capitalismo. O resultado não poderia ser mais revelador. O sistema de ensino brasileiro levou uma surra - foi o pior colocado em toda a amostra analisada, que inclui China, Índia, México e Rússia, entre outros. A constatação diz respeito diretamente às chances que o país tem de virar o jogo na competição internacional, na qual vem cedendo espaço sistematicamente. “Há muito tempo, sabemos que as deficiências do Brasil na educação afetam a distribuição de 10 renda e o crescimento pessoal dos indivíduos”, diz Alberto Rodríguez, especialista em educação do Banco Mundial e coordenador do estudo. “Com a pesquisa, ficou claro que essas deficiências também provocam a perda de competitividade do país em relação a economias com as quais disputa o mercado global.” Tradução: enquanto a educação brasileira não der um salto qualitativo, o país continuará patinando – e comendo poeira dos rivais. “Não tenho a menor dúvida de que o baixo crescimento do PIB brasileiro nos últimos anos está intimamente associado à 15 baixa qualidade do ensino”, diz o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade Harvard e estudioso dos efeitos da educação sobre o desenvolvimento das sociedades. “A educação é um dos motores do crescimento, e no Brasi1 esse motor funciona mal.” O fato, mostrou a pesquisa, é que o brasileiro aprende muito pouco na escola. Carrega por toda a vida uma herança pesada, materializada na forma de despreparo e ignorância – e essa herança tende a ser repassada para a geração 20 seguinte. Quando se analisam os dados sobre o desempenho brasileiro no terreno da educação, a primeira deficiência que salta aos olhos é o número de anos passados nos bancos escolares. O brasileiro estuda em média cinco anos, contra 11 do coreano, nove do argentino e dez da população da maioria dos países desenvolvidos. Estima-se que, se os brasileiros permanecessem na escola os 12 anos que ficam os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual. “A maioria dos brasileiros abandona a escola ainda na infância, especialmente por causa da repetência, que atinge 25 uma taxa inacreditável de 21 % dos alunos”, diz Rodríguez, do Banco Mundial. Levantamentos mostram que, a cada hora, 31 estudantes brasileiros desistem de estudar. Nos anos 90, foi feito um esforço para manter as crianças na escola e ocorreram avanços, mas em ritmo aquém do necessário. Segundo estudo da Unesco, mantido o passo atual, o Brasil demorará mais de 30 anos para alcançar o nível educacional que as maiores economias têm hoje. É uma realidade assustadora no momento em que o mundo demanda gente cada vez mais capacitada e que economias como a chinesa 30 ou a indiana – concorrentes diretas do Brasil – fazem um esforço hercúleo para educar e preparar parte de sua população para o mercado global. “O emprego do século 21 requer habilidades mentais”, diz Célio da Cunha, representante da Unesco no Brasil para a área de educação. “Exige raciocínio rápido, capacidade de interpretação e de análise da informação. Atributos que só são adquiridos com ensino de qualidade.” Ainda que o país passe a reter os jovens por mais tempo nas salas de aula, teria pela frente um desafio que, à 35 primeira vista, pode parecer elementar: garantir que os alunos efetivamente aprendam e fazer com que esse aprendizado vire riqueza. Atualmente, a maioria das crianças das escolas públicas se transforma em profissionais medíocres. Em 2003, o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico identificou que 55% dos alunos matriculados na 4ª série do ensino fundamental eram praticamente analfabetos e mal sabiam calcular. Na 8ª série, menos de 10% dos estudantes haviam adquirido competência para elaborar textos mais complexos. Como conseqüência, cerca de 75% dos adultos 40 têm alguma deficiência para escrever, ler e fazer contas, o que acarreta um efeito devastador sobre sua capacidade de se expressar. “O que está acontecendo nas nossas escolas é estarrecedor”, diz Paulo Cunha, presidente do grupo Ultra. Para conhecer a real situação da educação brasileira, Cunha visitou escolas municipais na capital paulista. “As crianças ficam oito anos nas salas de aulas e saem tão ignorantes quanto entraram. Como elas vão disputar um lugar no mercado de trabalho?” 45 Não se pode ignorar a revolução educacional pela qual o Brasil passou nos últimos anos. Até poucas décadas, vivíamos num país de analfabetos, no qual educação era luxo. Hoje há mais de 40 milhões de crianças na escola. Cerca de 5 milhões delas entram no sistema todo ano. O feito, porém, é insuficiente para sustentar o crescimento numa economia globalizada, cada vez mais dependente de conhecimento e de inovação e na qual os parâmetros de comparação ignoram fronteiras. No jogo da competitividade mundial – um jogo que define o sucesso das empresas e 50 do próprio país –, a má qualidade do ensino e sua incapacidade de entregar ao mercado os profissionais que ele demanda transformam-se num veneno mortal. Isso fica evidente na dificuldade que empresas de quase todos os setores vivem para recrutar em larga escala seu bem mais precioso – capital humano de boa qualidade. Esse é exatamente um dos grandes desafios das economias que perseguem o crescimento sustentável: garantir o suprimento de massas de pessoas qualificadas. (SALOMÃO, Alexa. In: EXAME, 27 set. 2006, p. 21-23). 1

Tendo em vista as conseqüências, apresentadas no texto, acerca do estado de ignorância do brasileiro, considere as afirmativas abaixo: I. O Brasil possui um desempenho insignificante quanto ao seu crescimento econômico e social. II. O Brasil é um país pouco competitivo no cenário internacional. III. A probabilidade de o Brasil vir a fazer parte da sociedade do conhecimento é mínima. IV. Os jovens brasileiros não têm condições de enfrentar a concorrência no mercado de trabalho. Está(ão) correta(s):

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