Questões de Língua Portuguesa · FUNEC

Língua PortuguesaPonto de vista e posicionamento do autorFUNEC 2022

CM Itaúna

Questão de Língua Portuguesa

CARGO Ao receber a ordem do Fiscal da sala, confira este CADERNO com muita atenção, pois nenhuma reclamação sobre o total de questões e/ou falhas na impressão será aceita depois de iniciada a prova. Caso haja algum problema, solicite a substituição deste caderno imediatamente. A Funec não se responsabilizará pela eliminação de candidatos que realizarem a prova com cargo diferente ao da inscrição. Este caderno contém a Prova Objetiva, com 40 (quarenta) questões de: CONHECIMENTOS GERAIS - sendo 12 (doze) de Língua Portuguesa, 08 (oito) de Raciocínio Lógico, 06 (seis) de Informática e de CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - 14 (quatorze) , cada qual constituída de 4 (quatro) alternativas de respostas para cada questão, com apenas uma alternativa CORRETA. CONFIRA SE SUA PROVA CORRESPONDE AO CARGO PELO QUAL VOCÊ OPTOU QUANDO REALIZOU A INSCRIÇÃO. Caso não seja, solicite a substituição imediata, pois não serão aceitas reclamações posteriores. Durante a prova, não será admitida qualquer espécie de consulta ou comunicação entre candidatos, tampouco será permitido o uso de qualquer tipo de equipamento eletrônico (calculadora, telefone celular, beep, pagers, nenhum relógio, entre outros), conforme item 12.1.34 do Edital № 01/2022. Faça o rascunho do gabarito na página apropriada deste caderno. O rascunho não será considerado na correção. Não serão distribuídas folhas suplementares para rascunho. Questão 01 – letra C 01) A) B) Questão 02 – letra B 02) A) B) C) D) C) D) corretivo. NÃO SERÃO ACEITAS RASURAS. Sua resposta não será computada se houver marcação de duas ou mais alternativas, MESMO QUE UMA DELAS ESTEJA CORRETA. Não deixe nenhuma questão sem resposta. Organização: Fundação de Ensino de Contagem – Funec – 31/07/2022 Página 1 de 24 CÓDIGO 201 CARGO Você pode não acreditar Affonso Romano de Sant'anna Ao iniciar este texto, parto de uma frase de Rubem Braga, hoje muito conhecida: “Sou do tempo em que a geladeira era branca e o telefone era preto”. Então lhe digo: Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela. A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que não havia guardas nas portas dos bancos, nem dentro. Você entrava e saía livremente. Assaltos a bancos eram coisas de filme americano. Você pode não acreditar: não havia carro forte blindado, aqueles seguranças superarmados para recolher dinheiro, nem se anunciava aos ladrões que a chave do cofre não estava com o chofer ou que o carro estava sendo seguido por satélite. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras. Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas. 31/07/2022 Página 2 de 24 CÓDIGO 201 CARGO Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que um homem de bem não assinava promissória, bastava tirar um fio de seu bigode e aquilo valia como promessa de pagamento no prazo ajustado. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os jovens tinham que estar em casa às dez da noite. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os filhos chamavam os pais de senhor e senhora, pediam a bênção e até beijavam-lhes a mão. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o professor ou a professora quando entrava na sala de aula os alunos se levantavam e ficavam ao lado das carteiras para recepcioná-lo(a). Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que, nos colégios mistos, as moças sentavam-se nas carteiras da frente e o recreio feminino era separado do recreio masculino; os adolescentes ficavam se olhando à distância. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que as moças, contando raríssimas exceções, tinham que esperar mesmo pelo casamento. Houve um tempo em que havia tempo. Houve um tempo. Estado de Minas: 05/05/2013 Disponível em: http://beneviani.blogspot.com/2013/05/affonso-romano-de-santanna-voce-pode.html Acesso em: 25 maio 2022 (Adaptado)

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.