Língua PortuguesaHumor e ironiaCOTEC FADENOR 2014
Pref Gameleiras
Questão de Língua Portuguesa
O humor da bolinha de papel 1 Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo. Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que 5 a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB". A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de 10 S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações. Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, 15 talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo). Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de 20 apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem). Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um 25 papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva. O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto 30 "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico. POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp. Acesso em 31/1/2014.
Tendo em vista a argumentação do autor, NÃO se pode inferir:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


