Questões de Língua Portuguesa · CPSI (UFPEL)

Língua PortuguesaPronomes relativosCPSI (UFPEL) 2011

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Questão de Língua Portuguesa

1 Crianças são seres adoráveis. Com bochechas redondas, bracinhos roliços e uma barriguinha macia, então, têm o 2 poder de derreter qualquer coração. São fofas. Fofas? Bem, do ponto de vista médico, a classificação para elas é outra: são 3 crianças com excesso de peso, cuja saúde está em risco e cuja probabilidade de se tornarem um adulto obeso cresce a cada 4 gesto de indulgência de seus pais. São eles – ou os adultos que em última instância decidem o que elas vão comer – os 5 principais responsáveis pela alarmante constatação a que acaba de chegar a pesquisa realizada sob a coordenação do 6 pediatra Mauro Fisberg, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As crianças brasileiras estão ingerindo 7 muito mais calorias do que deveriam. Das que têm entre 2 e 5 anos de idade, 22% apresentam sobrepeso. Pior: 6% já 8 passaram para o patamar da obesidade – o que significa estar mais de 15% acima do peso ideal. Tudo somado, 28% da 9 garotada de até 5 anos está pesando mais do que seria saudável. Com isso, o Brasil acaba de ultrapassar os Estados Unidos – 10 o país mais gordo do mundo – em matéria de obesidade infantil. Por enquanto, a dianteira se refere apenas a essa faixa 11 etária. Mas é inevitável que se estenda para outras em breve. 12 De cada 100 meninos e meninas que apresentam quadro de obesidade aos 2 anos de idade, quinze conviverão com 13 o problema ao longo da vida. Já entre as crianças que chegam aos 10 anos obesas, 80% manterão esse padrão na fase adulta. 14 É comum que os pais, ao notar que seu filho está acima do peso, relevem o problema, baseados na crença de que, "quando 15 crescer, ele emagrece" ou na equivocada convicção de que "criança gordinha é criança saudável". Ocorre que, ao contrário 16 do que esperam esses pais, as gordurinhas dos pequenos rechonchudos não vão desaparecer num passe de mágica. A 17 primeira razão para isso é que quem cresceu em meio a frituras, sanduíches gordurosos e pacotes de biscoito recheado 18 resistirá mais a se adaptar a uma alimentação saudável no futuro. Mas a dificuldade em mudar hábitos alimentares 19 adquiridos na infância é só um dos fatores que ameaçam transformar a criança num adulto em luta eterna contra a balança. 20 Há outros, de ordem metabólica, e esses são ainda mais difíceis de reverter. 21 Pesquisadores descobriram, por exemplo, que, consumidos em excesso durante a fase de desenvolvimento, 22 gorduras e carboidratos inibem a ação das proteínas que atuam no cérebro e no fígado induzindo a sensação de saciedade 23 e estimulam as que controlam o apetite. O mesmo ocorre com as enzimas responsáveis por determinar o gasto de energia 24 do organismo. Esse descontrole pode se tornar irreversível e, nesse caso, terá o efeito possível de fazer com que a ex- 25 criança gordinha, adulta, sinta necessidade de comer em grandes quantidades e apresente um gasto calórico 26 desproporcional às suas atividades físicas. Em resumo, pode fazer com que, ao longo de toda a vida, ela tenha facilidade 27 para engordar e dificuldade para emagrecer. 28 [...] 29 Como regra básica, especialistas recomendam que, antes dos 2 anos de idade, os pais não ofereçam nenhum tipo 30 de guloseima aos filhos. Depois dessa fase, com o incremento das atividades sociais da criança e a sua entrada em outros 31 ambientes, fica difícil proibir. "Mesmo porque a proibição pode dar origem a uma compulsão no futuro", diz a nutricionista 32 Priscila. Já o controle dos alimentos é possível e necessário. Se não dá para evitar que o filho tome refrigerantes na escola 33 ou em festinhas, por exemplo, é perfeitamente possível deixar de estocá-los às pilhas na geladeira de casa. As excursões às 34 lanchonetes de fast-food também podem ter a frequência estipulada – e, de preferência, reduzida ao mínimo. Entre 2004 e 35 2009, esse mercado duplicou no Brasil. Só o McDonald’s ganhou 100 000 clientes a mais a cada dia, boa parte deles, 36 crianças. 37 [...] 38 Perceber que o filho passou da categoria dos "fofinhos" para o patamar dos obesos muitas vezes não é simples. 39 Tomar a decisão de levá-lo a um especialista, passar a controlar a sua alimentação e – suma crueldade – colocá-lo "de 40 regime" pode parecer mais difícil ainda. Mas é desse tipo de decisão que depende a saúde dos pequenos. E deixar que eles 41 a percam tão cedo, isso sim, é de cortar o coração. Revista Veja – 30/06/2010 Cargo: Médico – Área Pediatria E-101 - 7 / 15

No 1º parágrafo do texto, apresentado a seguir, tem-se, em dois momentos, o emprego do pronome “cujo”, flexionado no gênero feminino (“cuja”). “(...) são crianças com excesso de peso, cuja saúde está em risco e cuja probabilidade de se tornarem um adulto obeso cresce a cada gesto de indulgência dos pais.” Analisa as frases a seguir, dando especial atenção ao emprego do pronome cujo/cuja, juntamente com a preposição, quando esta o acompanha. I) O menino, de cujo pai estava separado, começou a ganhar peso de forma exagerada. II) O pai, cuja filha estava afastado, foi procurar o médico. III) A mãe, cuja filha passou a engordar, demonstrava preocupação. IV) O médico, sobre cuja responsabilidade estava a criança enferma, ficou apreensivo. Qual(quais) frase(s) acima está(ão) de acordo com as normas estabelecidas pela gramática padrão da língua portuguesa?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.