Língua PortuguesaInterpretação de textosFMP 2013
MPE AC
Questão de Língua Portuguesa
Texto 2 Sir Francis Bacon deu um conselho curioso estudavam a natureza: deveriam 02 desconfiar de tudo o que suas mentes aceitassem sem hesitação. Talvez fosse uma maneira de 03 prevenir contra a ilusão qualquer descoberta humana fosse completa, ou tivesse completamente desvendado o que Deus encobrira. No momento (século 17) crescia a ideia herética de que existia um metafórico Livro da Natureza tão cheio de mensagens de Deus para os 06 homens quanto o Livro dos Livros, Bacon aconselhava a ciência a não desprezar o que diziam os mitos e as escrituras. A glória de Deus manifestava-se de várias formas. Algumas eram apenas 08 mais poéticas do que as outras. 09 A primeira “mensagem” assim identificada do livro secular da natureza foi o magnetismo, que só começou a ser estudado a fundo pelo inglês William Gilbert, contemporâneo 11 de Bacon na corte da rainha Elizabeth I, de quem era médico. O magnetismo era a prototípica 12 evidência de uma força na natureza, a primeira alternativa à pura vontade de Deus como algo por de tudo. Albert Einstein contava que o presente de uma , quando era 14 menino, lhe dera a primeira sensação dessa força misteriosa, e o primeiro ímpeto de desvendá-la. Mais do que ninguém, Einstein podia reivindicar uma glória de descobrir igual à glória de Deus em ocultar, embora nunca abandonasse sua devoção quase religiosa a um determinismo 17 harmônico do universo, atribuindo-o a Deus ou a que outro nome se quisesse dar ao 18 indesvendável. Mas Einstein não seguiu o conselho de Francis Bacon, de desconfiar do que o satisfazia. Satisfez-se tanto com suas certezas que passou os últimos anos da vida buscando uma teoria unificada da gravidade e do eletromagnetismo que refutasse a teoria quântica que a 21 ameaçava e que tornava a matéria e seu comportamento inexplicáveis em qualquer linguagem, científica ou poética. 23 Quando recém se começava a falar em partículas subatômicas e seu estranho 24 comportamento, o físico dinamarquês Niels Bohr disse que elas só poderiam ser descritas usandose a linguagem como na poesia. Um sombrio reconhecimento de que a linguagem racional não 26 teria como acompanhar a especulação científica e, por isso, estava condenada à analogia e à 27 aproximação inexata. Assim, os físicos falam em teorias das cordas, em um universo em forma de donut, ou de bola de futebol, e isso é apenas o som da mente humana se chocando contra os 29 limites da linguagem, como moscas (para usar outra analogia) na vidraça. Einstein morreu sem se resignar à ideia de que a verdadeira e inexpugnável glória de Deus começa onde termina a linguagem humana. Adaptado de Luís Fernando Veríssimo, “Ciência e Linguagem”. Zero Hora, Porto Alegre, 27 set 2012. QUESTÕES REFERENTES AO TEXTO 2
Assinale a alternativa que apresenta conteúdo que se pode depreender das ideias veiculadas pelo texto.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

