Questões de Língua Portuguesa · Ibest

Língua PortuguesaReescrita de frases e equivalência de sentidoIbest 2024

CREFITO

Questão de Língua Portuguesa

1 Quando criança, fui ensinada de que a 2 população negra havia sido escrava e ponto, como se 3 não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de 4 onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me 5 que a população negra era passiva e “aceitou” a 6 escravidão sem resistência. Também me contaram que 7 a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No 8 entanto, essa era a história contada do ponto de vista 9 dos vencedores. Com o tempo, compreendi que a 10 população negra havia sido escravizada, e não era 11 escrava — palavra que denota que essa seria uma 12 condição natural, ocultando que esse grupo foi 13 colocado ali pela ação de outrem. 14 O primeiro ponto a entender é que falar sobre 15 racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate 16 estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica 17 e começar pela relação entre escravidão e racismo, 18 mapeando suas consequências. 19 É importante lembrar que, apesar de a 20 Constituição do Império de 1824 determinar que a 21 educação era um direito de todos os cidadãos, a escola 22 estava vetada para pessoas negras escravizadas. A 23 cidadania se estendia a portugueses e aos nascidos em 24 solo brasileiro, inclusive a negros libertos. Mas esses 25 direitos estavam condicionados a posses e 26 rendimentos, justamente para dificultar aos libertos o 27 acesso à educação. 28 Havia também a Lei de Terras de 1850, ano em 29 que o tráfico negreiro passou a ser proibido no Brasil — 30 embora a escravidão tenha persistido até 1888. Essa lei 31 extinguia a apropriação de terras com base na 32 ocupação e dava ao Estado o direito de distribuí-las 33 somente mediante a compra. Dessa maneira, ex- 34 escravizados tinham enormes restrições, pois só quem 35 dispunha de grandes quantias poderia tornar-se 36 proprietário. 37 No Brasil, há a ideia de que a escravidão aqui foi 38 mais branda do que em outros lugares, o que nos 39 impede de entender como o sistema escravocrata 40 ainda impacta a forma como a sociedade se organiza. 41 Historiadores já comprovaram que essa ideia não passa 42 de um mito. São inúmeros os fatos históricos que a 43 desmentem. 44 Movimentos de pessoas negras há anos 45 debatem o racismo como estrutura fundamental das 46 relações sociais, criadora de desigualdades e abismos. 47 O racismo é, portanto, um sistema de opressão que 48 nega direitos, e não um simples ato da vontade de um 49 indivíduo. 50 Portanto, nunca entre numa discussão sobre 51 racismo dizendo “mas eu não sou racista”. O que está 52 em questão não é um posicionamento moral, 53 individual, mas um problema estrutural. A questão é: o 54 que você está fazendo ativamente para combater o 55 racismo? Mesmo que uma pessoa pudesse se afirmar 56 como não racista (o que é difícil, ou mesmo impossível, 57 já que se trata de uma estrutura social enraizada), isso 58 não seria suficiente — a inação contribui para perpetuar a opressão. Djamila Ribeiro. Pequeno Manual Antirracista. Companhia das Letras, 2019 (com adaptações).

Dadas as relações coesivas estabelecidas no texto, a expressão “No entanto” (linhas 7-8) é equivalente a

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