Língua PortuguesaEstrangeirismos e empréstimos linguísticosNC-UFPR 2016
UFPR
Questão de Língua Portuguesa
Em um livro maravilhoso sobre cultura surda, chamado “Os Surdos na América”, dois pesquisadores surdos americanos contam a história de como uma criança surda adquiriu esse senso de “nós” e “eles”. Essa criança é Sam Supalla, hoje um renomado educador surdo e pesquisador universitário das línguas de sinais. Sam nasceu em uma família de surdos com vários irmãos surdos mais velhos. Conforme seus interesses se voltavam para o mundo fora de sua família, ele conheceu uma garota que vivia ao lado de sua casa e que parecia ser da sua idade. Depois de alguns encontros, eles se tornaram amigos. Ela era uma companheira agradável, mas havia o problema da sua “estranheza”. Ele não podia falar com ela da mesma forma que falava com seus irmãos e seus pais. Ela parecia ter uma dificuldade extrema de compreender até mesmo os gestos mais elementares. Após umas poucas tentativas frustradas de conversa, ele desistiu e passou a usar gestos e apontamentos quando queria dizer algo ou ir a algum lugar. Ele ficou curioso sobre essa enfermidade estranha que a amiga tinha, mas uma vez que eles haviam encontrado uma forma de interagir, ele contentou-se em se acomodar às necessidades peculiares da garota. Um dia, Sam lembra-se claramente, ele finalmente compreendeu que sua amiga era de fato excêntrica. Eles estavam brincando na casa dela, quando de repente sua mãe chegou até eles e começou a mover sua boca animadamente. Como que num passe de mágicas, a garota pegou seus brinquedos e os levou para outro lugar. Sam ficou intrigado e voltou para casa para perguntar a sua mãe de que mal, exatamente, a sua amiga vizinha sofria. Sua mãe explicou que ela era “ouvinte” e, por esse motivo, não sabia sinalizar; ao invés disso, ela e sua mãe “falavam”, movendo suas bocas para se comunicarem. Sam então perguntou se essa garota e sua família eram as únicas pessoas “desse tipo”. Sua mãe explicou que não, na verdade, quase todos eram como seus vizinhos. Sua própria família que era incomum. Foi um momento memorável para Sam. Ele lembra-se de ter pensado como era esquisita a garota ao lado e, se ela era “ouvinte”, como as pessoas “ouvintes” deviam ser esquisitas também. Conforme crianças surdas como Sam vão se tornando adultas, elas aprendem valores culturais surdos de outros membros da comunidade. E o universo surdo é um universo em si bastante complexo, habitado por muito mais categorias do que as mencionadas aqui. Além de “surdos” e “ouvintes”, há também os “deficientes auditivos”, que caminham sobre uma linha que divide o mundo surdo do mundo ouvinte. Há também pessoas “oralizadas”, que abraçam o mundo ouvinte e se enxergam como ouvintes, não apresentando uma identificação direta com surdos usuários de língua de sinais. A visão sobre “surdez”, sobre quem somos “nós” e quem são “eles”, portanto, vai depender das experiências compartilhadas por cada pessoa surda ao longo de seu desenvolvimento. Embora o fator biológico, o fato de não ouvir, seja um aspecto relevante, ele certamente não pode ser tomado como critério único da definição de “ser surdo”, tampouco como o critério para se definir quem se reconhece como pertencente à cultura e à comunidade surda. (Extraído do livro “Aprender a ver” (Wilcox; Wilcox, 2005, p. 104-106) 11
Numere a coluna da direita, relacionando os conceitos de “modelos de tradução” com os respectivos exemplos. 1. Modulação: alterações semânticas ou estilísticas que mantêm ( ) “PROCESSO MEDIAÇÃO AQUISIÇÃO o mesmo efeito geral de sentido no contexto específico. TROCAR ADAPTAR CULTURA” para 2. Adaptação: solução que estabelece uma equivalência parcial “processo de aculturação”. de sentido para os fins do ato tradutório em questão, uma ( ) Uso das letras “D” e “A” do alfabeto espécie de assimilação cultural entre texto-fonte e texto-meta. manual para a abreviação da expressão 3. Decalque: refere-se a uma palavra ou expressão emprestada “deficiente auditivo”. da língua-fonte, submetida a certas restrições ou adaptações ( ) Utilização do alfabeto manual para gráficas e/ou morfológicas para conformar-se às convenções interpretar o nome próprio S-A-M-S-U-P- da língua-alvo, não registrada nos dicionários da língua-fonte. A-L-L-A. 4. Empréstimo: estratégia que é meramente uma cópia da língua ( ) CRIANÇA SURDA IGUAL para “Para a de origem para a língua de chegada. criança surda, a tarefa não é diferente”. Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

