Geografia e GeoprocessamentoProdução agropecuária brasileiraLegalle 2026
Pref Toropi
Questão de Geografia e Geoprocessamento
As mediações urbanas nas redes curtas de comercialização agroalimentar As transformações recentes nas formas de produção, circulação e consumo de alimentos têm recolocado no centro do debate as relações entre agricultor e consumidor, cidade e campo, especialmente no que se refere às chamadas redes curtas de comercialização agroalimentar (RCCs). Na literatura nacional e em língua estrangeira, essas redes são frequentemente apresentadas como alternativas ao sistema agroalimentar hegemônico (circuitos agroalimentares longos), associadas à valorização da agricultura familiar, à agroecologia e à soberania alimentar, sobretudo por sua capacidade de reconectar produção e consumo e de gerar efeitos positivos no desenvolvimento rural. No entanto, tais abordagens tendem a enfatizar os impactos dessas iniciativas no meio rural, sem problematizar de forma mais aprofundada as mediações urbanas (especialmente as demandas, discursos e critérios de qualidade formulados por consumidores e instituições situadas nas cidades) que participam ativamente da constituição e da consolidação dessas redes. Diversos estudos têm apontado que as RCCs não se estruturam apenas a partir da iniciativa dos agricultores, mas emergem de um contexto mais amplo de crise de confiança nos sistemas agroalimentares industrializados, especialmente nos grandes centros urbanos. Preocupações com saúde, qualidade dos alimentos, impactos ambientais e ética na produção impulsionam consumidores urbanos, movimentos sociais, organizações não governamentais e instituições acadêmicas a buscar formas alternativas de abastecimento, criando demandas que a específicas passam orientar/impor novas práticas produtivas no meio rural. Nesse sentido, o urbano deixa de ser apenas destino do alimento e passa a atuar como instância produtora de discursos, normas e expectativas que reconfiguram o campo. A literatura internacional sobre as RCCs reconhece que essas iniciativas operam em espaços socialmente construídos, atravessados por relações de poder e por seletividades de acesso, que condicionam quem pode participar, consumir e se beneficiar desses circuitos. Ainda que promovam maior proximidade entre produtores e consumidores, tais redes tendem a se estruturar a partir de demandas urbanas específ icas, atendendo prioritariamente segmentos das classes medias e reproduzindo desigualdades alimentares e territoriais. Nesse sentido, parte da literatura crítica alerta para o risco de uma moralização do consumo, na qual a construção de sistemas alimentares considerados mais justos e sustentáveis e deslocada para o plano das escolhas individuais, sem o enÍrentamento das estruturas sociais e econômicas que sustentam a exclusão alimentar das classes populares. Fonte ARCE MATOS, W. E.; DINIZ, R. F.; LOBATO, M M Sistemas agroalimentares na Amazônia: espaços-tempos híbridos e interconexões nas redes cuftas de comercialização em Manaus. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Taubate, v.22, n.2,2026 (com adaptações). base nas reflexões teoricas apresentadas
A respeito das dinâmicas que envolvem a formação das redes alternativas de abastecimento e as mediações entre o campo cidade abordadas no texto, e a analise as assertivas que seguem: I. A consolidação das RCCs passa pela atuação conjunta de múltiplos atores urbanos, tais como universidades, movimentos sociais e organizações não governamentais. II. O texto alerta para o risco de as redes curtas reproduzirem desigualdades alimentares e territoriais. III. A emergência das redes curtas de abastecimento está associada a uma crise de confiança nos modelos industrializados e hegemônicos de produção agroalimentar. Está CORRETO o que se afirma em:
Mais questões de Produção agropecuária brasileira
- IBADE 2026A pecuária bovina é, historicamente, o principal uso do solo e o setor de maior capilaridade territorial de Rondônia. Considerando os processos de ocupação do espaço, as políticas…
- COCP IFMT 2026Leia o trecho de notícia: Rebanho bovino em 2025 foi estimado em 235 milhões de cabeças, mas deve começar cair a partir de 2026 A população brasileira alcançou o contingente de 21…
- Legalle 2026A economia de São José das Missões possui um forte e marcante perfil atrelado ao meio rural. Embora exista o atual incentivo tecnico para o cultivo de lavouras permanentes, a maio…
- Cebraspe 2026A elevada participação do agronegócio na composição da produção da agropecuária no Brasil deve-se ao uso intensivo de tecnologia. Acerca dos recursos tecnológicos empregados no se…
- Fundatec 2026Sobre as características do espaço agrário no Brasil, de acordo com o Censo Agropecuário (IBGE, 2017), assinale a alternativa correta.
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



