Língua PortuguesaAlfabetização e letramentoFSADU (UFMA) 2015
IF MA
Questão de Língua Portuguesa
Leia o texto e responda às questões 46, 47 e 48. Gramática: uma área de muitos conflitos Surpreende reconhecer quanto diferem os olhares observadores dos que fazem da língua um objeto de ciência, e os olhares míticos dos que cristalizaram verdades irrefutáveis, entre os quais, por vezes, se incluem até mesmo os olhares daqueles que assumem a tarefa pedagógica de orientar o ensino. Essa diferença de olhares se percebe, sobretudo, pelo ângulo da redução, da simplificação que os fatos linguísticos sofrem na escola quando são submetidos às atividades de um suposto ensino. Desta redução provêm os muitos equívocos que fortalecem os preconceitos linguísticos, que alimentam os programas irrelevantes e as práticas inadequadas de ensino, sobretudo quando se desembarca na plataforma da gramática. Pois, se são tortos os olhos com que se vê a língua, em geral, muito mais tortos são eles quando se vê a gramática, em particular. Os equívocos logo acima referidos cobrem uma área extensa, pois vão desde a crença ingênua de que, para se garantir eficiência nas atividades de falar, de ler e de escrever, basta estudar gramática (quase sempre nomenclatura gramatical), até a crença, também ingênua, de que não é para se ensinar gramática. A serviço de um e de outro extremo, encontramos políticas de ensino, programas de intervenção ou de orientação. Basta ver, por exemplo, a ação “vigilante e zelosa” da mídia, a qual, reforçando a crença de que “as dificuldades verbais das pessoas são dificuldades de gramática”, promove uma série de flashes e de colunas (até mesmo na televisão e na internet), onde as “dúvidas são inteiramente esclarecidas”, sem qualquer resquício de imprecisão ou de fluidez. [...] Está evidente, pois, o caráter da gramática como uma área de grandes conflitos. Conflitos internos, oriundos da própria natureza dos fatos linguísticos. Conflitos externos, oriundos de fatores históricos que concorrem para a constituição dos fatos sociais (a língua é um deles; não esqueçamos). [...] É preciso reprogramar a mente de professores, pais e alunos em geral, para enxergarmos na língua muito mais elementos do que simplesmente erros e acertos de gramática e de sua terminologia. De fato, qualquer coisa que foge um pouco do uso mais ou menos estipulado é vista como erro. As mudanças não são percebidas como “mudanças”, são percebidas como erros. (Fonte: ANTUNES, I. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedras no caminho. 3.ed. São Paulo: Parábola, 2007, p.21-23. Grifos originais.)
R48 Assinale a opção que sintetiza o conceito de ensino de língua que subjaz ao texto.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

