Questões de Língua Portuguesa · Com. Exam. (MPE RS)

Língua PortuguesaTempos verbais do indicativoCom. Exam. (MPE RS) 2016

MPE RS

Questão de Língua Portuguesa

01 O professor encerra seu número, numa senha para que a mulher se apresse. Amei nosso entretém, monsieur, só 02 lamento não poder ........ para o jantar. Você também é sempre bem-vinda, Carminha, nem que seja apenas para 03 brincar com a Piaf. Vou ........, diz Anne enxugando as mãos num pano de prato. De repente, dá um suspiro curto e um 04 saltito juvenil: um momento, monsieur Hollander. Tira da geladeira um rocambole cheirando a maçã e separa uma 05 fatia num prato de sobremesa: o senhor disse que seu pai morou na Alemanha? Entrega-me o pratinho coberto com 06 um papel de pão: é uma receita da minha avó alsaciana, ele vai gostar. ........ em direção à sala, onde a Minhoca brinca 07 mais uma vez com a Piaf. Henri Beauregard fecha o piano e se refugia num banheiro. Ainda procuro protelar o adeus, 08 alisando o piano e tecendo elogios ao seu design art déco, quando escuto o ruído da chave na fechadura e vejo a 09 maçaneta girar sozinha. Paralisado defronte da porta por onde entrará meu irmão alemão, repasso na memória as 10 ideias mais fantasiosas que fiz dele, desde que soube da sua existência. Recordo quantas vezes sonhei com ele, a cada 11 sonho com uma cara diferente, caras que eram transfiguradas pelo aquário do sonho, seres que a luz da manhã 12 desvanecia, durante os anos em que ansiei por este encontro. E agora já não quero que a porta se abra, por mim 13 aquela maçaneta poderia girar perpetuamente. Prefiro continuar a ver meu irmão em sonhos, com sua cara ainda 14 sem acabamento. Penso que vê-lo assim à queima-roupa, com excessiva nitidez, será como ver escancarada numa 15 tela de cinema a personagem de um romance que eu vinha adivinhando fio a fio à medida que lia. Se pudesse, eu 16 pediria ao meu irmão que me esperasse lá fora, para ser de novo o vulto noturno que apenas entrevi. Mas a porta 17 range, a maçaneta desfaz seu giro, e o que tenho diante de mim não pode ser meu irmão alemão. É um homem da 18 minha idade, com a pele branca meio escamada, o nariz adunco de Henri e uma calvície precoce. É sinceramente um 19 tipo banal, desses que a memória não fixa, que não frequentam os sonhos. Eis meu filho Christian, diz Anne em 20 francês, e este cavalheiro aqui, ele é o monsieur Hollander, namorado da Carminha. Christian cumprimenta-nos com 21 a cabeça, porque está sobrecarregado de livros, e se escafede escada acima. Anne abre a porta da rua: au revoir. A 22 Minhoca me puxa pela manga, e já do lado de fora pergunto de supetão: e o outro, madame? O outro? O seu outro 23 filho, madame. Ouço um som de descarga, e mesmo na contraluz percebo como Anne enrubesce: não temos outro 24 filho, monsieur Hollander. Fecha a porta, e estou no portão quando ela torna a abri-la: psiu. É para a Piaf, que vinha 25 atrás da Minhoca e volta correndo para dentro. Extraído de: Chico Buarque, O Irmão Alemão, p.107-109. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

O texto é narrado no presente histórico, que em geral é transposto para o pretérito perfeito quando a narrativa é feita no passado, salvo quando se trata de estados ou processos durativos; neste caso, empregase o pretérito imperfeito. Considere agora o seguinte trecho (l. 20-22). Christian cumprimenta-nos com a cabeça, porque está sobrecarregado de livros, e se escafede escada acima. Anne abre a porta da rua: au revoir. A Minhoca me puxa pela manga, e já do lado de fora pergunto de supetão: e o outro, madame? Qual das formas verbais listadas abaixo deveria ser transposta para o pretérito imperfeito?

Sua resposta

Mais questões de Tempos verbais do indicativo

Ver as 3.170 questões de Tempos verbais do indicativo

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.