Língua PortuguesaModalização e marcas de subjetividadeVunesp 2014
CM Sertãozinho (SP)
Questão de Língua Portuguesa
Batalhas perdidas No século 19, parte dos trabalhadores ingleses decidiu combater o progresso tecnológico, que corretamente viam como uma ameaça a seus empregos, destruindo máquinas. Eram os luditas. Suas ações acenderam o imaginário popular, mas não foram capazes de deter a revolução industrial. Algo parecido pode estar ocorrendo agora em relação à internet. O fenômeno é variegado e abarca desde um juiz tentando proibir um aplicativo – Secret – que assegura anonimato a quem faz comentários na rede até taxistas protestando contra um programa que promove “caronas remuneradas”. Até pode haver lampejos de justiça nessas causas, mas desconfio que a derrota é inexorável. Mesmo que o aplicativo Secret seja banido do Brasil, não será difícil para o usuário acessar versões estrangeiras das lojas de aplicativos e, assim, burlar a restrição. Quanto aos taxistas, não há muito o que fazer. Não é possível tornar ilegal a venda de algo que pode ser dado de graça totalmente dentro da lei. Se a carona gratuita é permitida, fica muito difícil impedir a carona paga. Ao contrário de magistrados e taxistas, não estou tão convencido do caráter maléfico dessas novidades. Tecnologias tendem a apresentar-se em tons mais cinzentos, oferecendo diferentes combinações de benefícios e problemas. Mesmo quando são claramente desvantajosas, podem, às vezes, tornar-se um caminho sem volta. Essa, ao menos, é a tese do geógrafo Jared Diamond, para o qual a adoção da agricultura, embora tenha sido “o pior erro da história dos seres humanos”, tendo, num só golpe, destruído a saúde das pessoas e criado as distinções sociais, se espalhou como uma praga pela humanidade. A razão principal é que povos agrícolas eram capazes de produzir muito mais gente do que a concorrência. Basicamente, quem aposta contra a tecnologia acaba perdendo, mesmo quando tem razão. (Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo, 31.08.204. Adaptado)
Uma expressão que revela o intuito de se evitar a generalização ou a afirmação categórica está destacada na seguinte passagem do texto:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

