Língua PortuguesaInterpretação de textosFênix Instituto 2026
Pref Mariópolis
Questão de Língua Portuguesa
Constelação de pedras Às vezes a vida parece desenhar símbolos repetidos. Quem olha com atenção percebe que certas imagens atravessam a poesia, a música, os mitos e até os ditados populares. Uma dessas imagens é a pedra. Na canção Águas de março, de Tom Jobim, ela aparece quase casualmente: “é pau, é pedra, é o fim do caminho”. No meio de tantas coisas simples: tocos, restos, pedaços do cotidiano. A pedra está ali, como parte natural da paisagem da vida. Mas a pedra também ganhou lugar definitivo na poesia de Carlos Drummond de Andrade. No poema No meio do caminho, ela interrompe a passagem e insiste na memória. Drummond repete sua presença tantas vezes que aquela pedra deixa de ser apenas um objeto. Ela se transforma no próprio símbolo do obstáculo inevitável. Antes mesmo da poesia moderna, os mitos já falavam de pedras. A mais famosa talvez seja a de Sísifo, condenado a empurrar eternamente uma rocha montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta. Uma imagem antiga que lembra o esforço humano de todos os dias: trabalhar, recomeçar, tentar outra vez. Mas há também outra pedra, menos pesada e mais sonhada: a lendária Pedra Filosofal, buscada pelos alquimistas como capaz de transformar metais comuns em ouro. Uma pedra que representa a esperança de transformação, a possibilidade de que aquilo que parece simples ou bruto esconda algo precioso. Entre tantas pedras, a do caminho, a do esforço, a da transformação, aparece ainda a sabedoria tranquila do povo: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Talvez seja essa a verdadeira constelação de pedras da existência. Algumas nos fazem tropeçar. Outras exigem esforço diário. Outras ainda prometem mudança. E então chegam as águas de março. Elas correm sobre todas as pedras. Passam por cima, contornam, insistem. Não derrubam tudo de uma vez, mas lembram que o tempo também trabalha devagar. Talvez viver seja isso: caminhar entre pedras e águas. E aprender, pouco a pouco, que até as pedras mais antigas acabam fazendo parte do caminho. Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado).
Com base na leitura do texto, assinale a alternativa INCORRETA.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
