Questões de Língua Portuguesa · IF RS

Língua PortuguesaNumeralIF RS 2009

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Questão de Língua Portuguesa

Meu pavor a números 1 Contra

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

2 a força do 3 destino não 4 adianta lutar. 5 Digo isso 6 porque, desde 7 o curso 8 primário, lá 9 em Piratini, 10 tive pavor a 11 números, em 12 Aritmética fui sempre um zero à 13 esquerda. Depois fui estudar em 14 Pelotas, hospedando-me na casa do tio 15 Tércio – que tinha uma quinta nas 16 Três-Vendas – e consegui tirar o 17 ginásio, apesar da minha ojeriza para 18 com o professor de Geometria, o irmão 19 Nono, que pra mim era uma besta- 20 quadrada que só faltava cair de quatro 21 e sair pastando. 22 Em quarenta e poucos vim 23 estudar aqui em Porto Alegre, morando 24 numa pensão no centro, a quatro 25 passos da Travessa Mário Cinco-Paus, 26 e sofrendo essa balbúrdia de mil 27 demônios com a gente se pechando nos 28 outros a três por dois. Também no 29 Julinho, com uma rapaziada cheia de 30 nove-horas, tive a impressão de estar 31 sendo recebido com quatro pedras na 32 mão. Um dia um grã-fininho me 33 chamou de "grosso" e eu, que nunca 34 fui de meias palavras, sentei-lhe nas 35 fuças os cinco mandamentos. Depois 36 tentei imitá-los mas, tão certo como 37 dois e dois são quatro, convenci-me de 38 que quem nasceu para dez réis nunca 39 chega a ser tostão. Mandei a "finura" 40 pra os quintos! 41 Mas um dia conheci um colega, 42 chamado Paixão, homem dos sete- 43 instrumentos, bom ginete, discursador, 44 cantador, e que, pra declamar, era um 45 número! O sexto sentido me disse que 46 íamos somar nossas forças e, de fato, 47 em duas paletadas estava formada a 48 parelha. (Só tive arrepios quando ele 49 me disse que ia entrar para a 50 Agronomia e se especializar como 51 agrimensor, o coitado.) Decidimos 52 cultuar as tradições rurais e 53 conclamamos a gauchada aos quatro 54 ventos. Esperávamos contar com miles 55 de companheiros mas, no dia da 56 primeira reunião, só apareceu meia- 57 dúzia de gatos pingados. Achei que 58 tínhamos nos metido numa camisa de 59 onze varas, mas o Paixão gritou: "Mais 60 vale um pássaro na mão do que dois 61 voando!" E, mesmo com um 62 punhadinho de gente, partimos para 63 fandangos, provas campeiras e o 64 diabo-a-quatro. E a coisa pegou fogo, 65 apesar da descrença de terceiros. Só o 66 que eu jamais poderia ter imaginado 67 foi o nome escolhido para nós: 68 – CTG 35. 69 Então entreguei os pontos e até 70 fui tirar um cursinho de Matemática. 71 Mas, da metade pra o fim, tudo deu 72 certo, e hoje considero Porto Alegre 73 uma cidade tri-legal! LESSA, Luiz Carlos Barbosa. Crônicas do passado presente. Porto Alegre: Nova Prova, 2002.

Com base no texto, analise as afirmativas a seguir: I- O narrador da crônica diz não gostar de números, mas utiliza no texto muitos numerais e expressões populares que exemplificam a presença dos números em sua vida. II- Entre outras, as palavras “quatro” (l. 20), “um” (l. 41) e “número” (l. 45) são classificadas morfologicamente como numerais. III- Os números sempre foram um empecilho na vida do narrador. Tudo começou quando tirou nota zero em uma prova de Aritmética. 3 Está(ão) correta(s):

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