Língua PortuguesaEmprego e classificação do "que" e do "se"ESAP - PGE AM 2022
PGE AM
Questão de Língua Portuguesa
A minha felicidade não é a sua Martha Medeiros No mais recente livro de Carlos Moraes, o ótimo 'Agora Deus vai te pegar lá fora', há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major: 'Por que você não é feliz como todo mundo?'. A que ela responde mais ou menos assim: 'Como o senhor ousa dizer que não sou feliz? O que o senhor sabe do que eu digo para o meu marido depois do amor? E do que eu sinto quando ouço Vivaldi?E do que eu rio com meu filho? E por que mundos viajo quando leio Murilo Mendes? A sua felicidade, que eu respeito, não é minha, major'. E assim é. Temos a pretensão de decretar quem é feliz ou infeliz de acordo com nossa ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser visualizado. Somos apresentados a alguém com olheiras profundas e imediatamente passamos a lamentar suas prováveis noites insones causadas por problemas tortuosos. Ou alguém faz uma queixa infantil da esposa e rapidamente decretamos que é um fracassado no amor, que seu casamento deve ser um inferno, pobre sujeito. É nessas horas que junto as pontas dos cinco dedos da mão e sacudo-a no ar, feito uma italiana indignada: mas que sabemos nós da vida dos outros, catzo? Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está nos vendo. O barulho da chave da porta, de madrugada, trazendo um adolescente de volta pra casa. O cálice de vinho oferecido por uma amiga com quem acabamos de fazer as pazes. Sentar no cinema, sozinha, para assistir ao filme tão esperado. Depois de anos com o coração em marcha lenta, rever um ex-amor e descobrir que ainda é capaz de sentir palpitações. Os acordos secretos que temos com filhos, netos, amigos. A emoção provocada por uma frase de um livro. A felicidade de uma cura. E a infelicidade aceita como parte do jogo - ninguém é tão feliz quanto aquele que lida bem com suas precariedades. [...] A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só se permitirmos.
Leia o texto para responder ao que se pede: T2. Analise as assertivas a seguir: I. considerando a função sintática do se, pode-se analisar os trechos destacados (4º. Parágrafo) da seguinte forma: Não se sabe–partícula apassivadora; para manter-se sã–pronome reflexivo, com função de objeto direto; só se permitirmos–conjunção subordinativa condicional; II. no trecho: 'junto as pontas dos cinco dedos da mão e sacudo-a no ar' (2º parágrafo) temos uma ênclise justificada por ser oração coordenada ligada pela conjunção 'e'; no trecho: 'Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa' (4º parágrafo, temos uma próclise justificada pelo adjunto adverbial de negação - não; III. considerando os verbos destacados no fragmento a seguir (1º parágrafo): 'há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major: Por que você não é feliz como todo mundo?'. A que ela responde mais ou menos assim', pode-se dizer que são, respectivamente: verbo transitivo direto, verbo de ligação e verbo transitivo indireto; IV. sobre a regência do verbo destacado: 'Sentar no cinema, sozinha, para assistir ao filme tão esperado', pode-se dizer que estabelece regência com a preposição a, atuando como um verbo transitivo indireto, pois indica o ato de ver e estar presente, sendo sinônimo de presenciar, ver, observar, testemunhar; se fosse para indicar o ato de acompanhar como assessor, sendo sinônimo de acompanhar, assessorar, seria sem a preposição, pois seria um verbo transitivo direto; V. as palavras 'ótica, alguém, provável, nós' (2º parágrafo) são acentuadas obedecendo, respectivamente, às seguintes regras: palavra proparoxítona, palavra oxítona terminada em em, palavra paroxítona terminada em I, monossílabo tônico. Nenhuma delas sofreu alteração no último acordo ortográfico. Considerando as assertivas acima, marque a alternativa CORRETA em relação à análise delas:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
