Questões de Língua Portuguesa · CEPS UFPA

Língua PortuguesaFiguras de sintaxe: anáfora, polissíndeto, hipérbato e elipseCEPS UFPA 2014

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Questão de Língua Portuguesa

Carta a Lupicínio 1 Amigo torcedor, amigo secador, até a pé nós iremos a qualquer botequim ou taverna do rincão gaúcho 2 celebrar este ano o centenário do gênio gremista Lupicínio Rodrigues, o autor de um dos mais belos hinos de 3 clubes do país. Até a pé nós iremos, mesmo com todas as dores de cotovelo do mundo, mesmo estropiado 4 como um romeiro do amor e da sorte. 5 Bem lembrou (...) o querido Luís Fernando Vianna que o preto Lupicínio cantaria, a essa altura, para a 6 geral tricolor, “esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei!” Cantaria mesmo. E bonito. Um 7 brinde ao homem dos nervos de aço. 8 Sim, caro Lupicínio, tu me ensinaste a gastar o cotovelo da espera na fórmica dos balcões dos sofredores. 9 Aliás, a cada pé-na-bunda sempre acho que tu chegarás no boteco e me darás bons conselhos, só vingança, 10 vingança, vingança aos deuses clamar. Mais um brinde, amigo, como te amo. 11 O que tu achas, meu caro, dessa minha pobre tese crônica: para quem ainda confunde racismo – atacar 12 alguém covardemente pela cor da sua pele – com xingamento de varejo, sugiro, à guisa de criatividade, que 13 leve a campo o “Dicionário do Palavrão e Termos Afins”, do pesquisador e folclorista pernambucano Mário 14 Souto Maior, o Aurélio dos lexicógrafos da bela esculhambação à brasileira. 15 Souto Maior, vivo fosse, faria agora um brinde conosco. Que tu procures ele aí nesse mundo do qual eu 16 não tenho a menor das certezas. Caro Lupi, nesse livro, o fanático encontrará 3.500 palavrões que valem do 17 goleiro ao ponta esquerda, do técnico ao juiz daquele Flamengo x Coritiba. Somos tão ricos em matéria de tirar 18 onda, por que a injúria racial, minha gente? Sob qualquer aspecto, não carece. Pronto. 19 Tudo bem que não somos tão criativos quanto os alemães em matéria de xingamentos. O dicionário do 20 mesmo gênero, naquele país supostamente reservado, possui quase dez mil verbetes. Eles também nos batem 21 de 7x1 em matéria de sacanagem. Minha fonte é boa: Gilberto Freyre, o homem do “Casa Grande & Senzala”, 22 o mesmo que sugeriu a Souto Maior, a tal pesquisa nos trópicos. 23 Temos xingamentos demais, de qualquer forma. Que diversidade, incluindo os regionalismos, como “fi de 24 rapariga”, por exemplo, clássico nordestino, o meu preferido. Este vale para o juiz, sobremaneira. No sul 25 também não deve faltar palavrões para desopilar o juízo. 26 A Ponte Preta e o Inter, macaca e macaco, respectivamente, quando assumiram tais epítetos, 27 responderam politicamente ao preconceito. Uma maneira de dizer do orgulho da torcida negra. Em nada 28 autorizaram o ma-ca-co ou “preto fedido” e ditos malditos para humilhar quem quer que seja. Dentro ou fora do 29 gramado, nobilíssimo Lupicínio. 30 Sei que o amigo deves estar triste com os acontecimentos, mas também sei que o amigo és sábio para 31 entender o exemplo. Até a pé nos iremos, com teu espírito, para dizer paz na terra aos homens de boa 32 vontade.

Para realçar uma ideia, Xico Sá empregou a ordem inversa das palavras em

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.