Língua PortuguesaEscolas literárias brasileirasNucvest PUC SP 2018
FICSAE
Questão de Língua Portuguesa
Aquele acreditava na lei. Funcionário do IAPC [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários], sabia de cor a Lei Orgânica da Previdência. Chegava mesmo a ser consultado pelos colegas sempre que surgia alguma dúvida quanto à aplicação desse ou daquele princípio. Eis que um dia nasce-lhe um filho e ele, cônscio de seus direitos, requer da Previdência o auxílio-natalidade. Prepara o requerimento, junta uma cópia da certidão de nascimento da criança e dá entrada no processo. Estava dentro da lei, mas já na entrada a coisa enguiçou. – Não podemos receber o requerimento sem o atestado do médico que assistiu a parturiente. – A lei não exige isso – replicou ele. – Mas o chefe exige. Tem havido abusos. Estava montado o angu. O rapaz foi até o chefe, que se negou a receber o requerimento. – Vou aos jornais – disse-me o crédulo. – Eles têm de receber o requerimento, como manda a lei. Tentei aconselhá-lo: a justiça é cega e tarda, juntasse o tal atestado médico, era mais simples. – Não junto. A lei não me obriga a isso. Vou aos jornais. Foi aos jornais. Aliás, foi a um só, que deu a notícia num canto de página, minúscula. Ninguém leu, mas ele fez a notícia chegar até o chefe que, enfurecido, resolveu processá-lo: a lei proíbe que os funcionários levem para os jornais assuntos internos da repartição. – Agora a lei está contra você, não? – Não. A lei está comigo. Estava ou não estava, o certo é que o processo foi até a Procuradoria e saiu dali com o seguinte despacho: suspenda- -se o indisciplinado. Era de ver-se a cara de meu amigo em face dessa decisão. Estava pálido e abatido, comentando a sua perplexidade. Mas não desistiu: – Vou recorrer. Deve ter recorrido. Ainda o vi várias vezes contando aos colegas o andamento do processo, meses depois. Parece que já nem se lembra do auxílio-natalidade – a origem de tudo – e brigará até o fim da vida, alheio a um aforismo que, por ser brasileiro, inventei: “Quem acredita na lei, esta lhe cai em cima.” (O melhor da crônica brasileira, 2013.)
Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista. (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.) O movimento a que o texto se refere é o
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
