Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoUNILAVRAS 2015
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Questão de Língua Portuguesa
Texto 3 Pouco sono, mais doença Os benefícios para a saúde de um boa noite de sono são conhecidos há tempos pela medicina, mas um novo estudo, publicado [...] na revista científica “Sleep”, foi capaz de demonstrar que, além de cansaço e estresse, dormir pouco pode, literalmente, aumentar as chances de ficar doente. De acordo com os pesquisadores, pessoas que dormem seis horas ou menos por dia são quatro vezes mais propensas a pegar resfriados em comparação com quem dorme ao menos sete horas. — Vai além de se sentir grogue ou irritado — diz Aric Prather, professor de Psiquiatria na Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e líder do estudo. — Não dormir o suficiente afeta a saúde física. Também participaram da pesquisa profissionais das universidades Carnegie Mellon e de Pittsburgh. A equipe monitorou 164 voluntários com sensores que medem a duração e a qualidade do sono. Os participantes também responderam a entrevistas e questionários para a avaliação de outras variáveis, como estresse, temperamento e uso de álcool e tabaco. Para medir a propensão ao resfriado, os participantes foram isolados em um hotel e tiveram o vírus administrado por via nasal. Eles foram monitorados por uma semana, com coleta diária de amostras de muco para avaliar a progressão da doença. Os resultados mostraram que os indivíduos que dormiam menos de seis horas por noite tinham 4,2 vezes mais chances de pegar o resfriado em comparação com os que dormem mais de sete horas. Para quem dorme menos de cinco horas, a relação foi de 4,5 vezes. — O sono vai além dos outros fatores que medimos — diz Prather. — Não importa idade, níveis de estresse, raça, educação ou renda. Não importa se é fumante ou não. Com todas essas variáveis sendo consideradas, estatisticamente o sono se mostrou um forte indicador para a suscetibilidade ao vírus do resfriado. Efeitos no sistema imunológico Os pesquisadores apenas mostraram a correlação entre distúrbios do sono e resfriado, mas Luciana Palombini, especialista da Associação Brasileira do Sono, acredita que se trata de uma reação do organismo ao estresse de uma noite mal dormida. Um outro estudo já havia demonstrado que a baixa quantidade ou qualidade do sono prejudica a eficácia da vacina contra a gripe por causa da liberação de hormônios que afetam o sistema imunológico. E esse problema tende a afetar cada vez mais pessoas. O aumento das possibilidades de distração, seja por trabalho ou entretenimento, está criando um fenômeno de redução de horas de sono que já é considerado uma epidemia. — Existe uma epidemia, sim, de restrição do sono — afirma Luciana. — Não é insônia. As pessoas, voluntariamente, estão dormindo menos – 6 do que precisam. As consequências de curto prazo são sonolência, dificuldade de concentração e irritabilidade, que acontecem no dia seguinte, mas existem também problemas no longo prazo. No ano passado, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) declarou a insuficiência de sono como uma “epidemia de saúde pública”. Estudos realizados por lá estimam que entre 50 milhões e milhões de americanos adultos sofram de algum distúrbio do sono. De acordo com o CDC, pessoas que possuem essa insuficiência são mais propensas a sofrer de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, depressão, obesidade e câncer, além de terem a qualidade de vida e a produtividade afetadas. Estudos também relacionam a falta de sono com acidentes de automóvel e de trabalho e com erros médicos e ocupacionais. O assunto é levado tão a sério que a Academia Americana de Pediatria, com respaldo do CDC, emitiu uma recomendação às escolas para que as aulas só tenham início após as 8h30min, para que os jovens estudantes possam alcançar o nível de descanso ideal para a idade, recomendado entre 8,5 e 9,5 horas por noite. Para adultos, a recomendação é de sete a oito horas. Luciana ressalta que existem os dormidores curtos, aqueles que precisam de menos horas de descanso por dia, mas são uma minoria. É comum ouvir pessoas dizerem que dormem cinco ou seis horas e conseguem ficar bem no dia seguinte, mas isso não significa que elas não sofram de insuficiência. — Às vezes, a pessoa se adapta a dormir pouco. Ela tem responsabilidades, precisa acordar e ficar bem, e consegue — comenta Luciana. — Mas ela pega um jornal para ler e dorme, liga a TV e dorme, ou passa o fim de semana inteiro dormindo. Isso é sinal de falta de qualidade no sono. Problema silencioso Apesar de, no longo prazo, a privação de sono contribuir para graves problemas de saúde, os pacientes só percebem que não estão dormindo bem em casos extremos. O pneumologista João Marcos Salge, do Centro de Medicina do Sono do Hospital do Coração de São Paulo, contou que são três os principais motivos que levam as pessoas a procurarem um médico: insônia aguda, ronco (normalmente o parceiro que pressiona pela consulta) e episódios atípicos, como dormir ao volante ou falta de concentração para realizar tarefas. — E o que tem acontecido cada vez mais são pessoas sem histórico de ronco ou sonolência, mas que sofrem de alguma patologia crônica cardiovascular ou neurológica — diz Salge. — Hoje, a privação do sono já é considerada fator de risco para doenças cardiovasculares. Apesar de não existirem números que abarquem a questão no país, o especialista está convicto de que, ao menos nas grandes cidades, as pessoas estão dormindo cada vez menos: — No fundo, nesse mundo moderno, existe a percepção de que dormir é perda de tempo. E a tecnologia tem exercido papel fundamental nessa piora do sono. A professora Julia Barros tinha extrema dificuldade para pregar os olhos, que ficavam vidrados na tela do smartphone. Em média, ela dormia entre cinco e seis horas, e uma simples mudança de hábito provocou uma melhora sensível na qualidade de vida. — Eu deixo o celular na cabeceira e não toco nele depois de ir para a cama — revela Julia. — Agora durmo oito horas por noite, e meu desempenho no dia seguinte melhorou bastante. Para Salge, o uso de tablets e smartphones antes de dormir não é uma patologia, mas deve ser evitado. — É mais um concorrente para o sono — sentencia. MATSUURA, Sérgio. Pessoa que dorme pouco tem quatro vezes mais chances de ficar doente. O Globo. Rio de Janeiro, 1 set. 2015. Ciência.
Leia o texto 3 para responder às próximas 3 questões.
) As alternativas que se seguem atuam como argumentos de autoridade que confirmam o resultado do estudo publicado na revista Sleep, isto é, “dormir pouco pode, – 7 literalmente, aumentar as chances de ficar doente.”, EXCETO:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
