Língua PortuguesaCraseIbest 2024
Pref Cristalina
Questão de Língua Portuguesa
1 Em 2004, quando estava com 42 anos, o norte-americano Mike Pauletich começou a sofrer os primeiros sintomas de Parkinson. Passou a ter dificuldades para escovar os 4 dentes e lançar bolas com a mesma agilidade — ele era o técnico de um time de beisebol infantil no qual seu filho jogava. Foi ao médico e ouviu um prognóstico aterrorizante: em dez anos, ele 7 estaria numa cadeira de rodas, sem conseguir nem se alimentar sozinho. Sua saúde continuou se deteriorando até que, em 2011, Pauletich ficou sabendo de uma empresa que estava desenvolvendo um novo e radical tratamento contra o Parkinson: 10 injetar no cérebro um vírus geneticamente modificado para carregar neuturina, uma substância essencial para os neurônios que produzem dopamina (cuja falta causa o Parkinson). Ainda não 13 tinha dado certo — a empresa vinha tentando havia cinco anos, sem sucesso —, mas uma nova tentativa estava para ser lançada. 16 Então Pauletich se submeteu a uma cirurgia no cérebro — falsa. Ele não sabia, mas estava no grupo de controle, placebo. Passou por todos os preparativos para o procedimento e chegou a receber uma incisão, minúscula, no crânio. O procedimento foi 19 realizado por médicos da Universidade de Stanford. Durante dois anos, os resultados foram monitorados, nos dois grupos. Em 2013, veio a notícia: o tratamento novamente havia fracassado. Só que 22 Pauletich estava muito melhor. Ele, que em 2011 já tinha dificuldade para falar devido ao avanço do Parkinson, agora havia 25 recuperado boa parte da agilidade nos movimentos e nas expressões faciais. Foi melhorando cada vez mais: começou a fazer exercícios, ganhou força física e correu um triatlo. Estava curado! Outros pacientes de Parkinson receberam também a falsa cirurgia. 28 Não melhoraram como Pauletich. “Milagres” como esse à parte, o uso de placebo é essencial 31 para a validação de novos tratamentos. É muito difícil imaginar a ciência moderna sem ele. O efeito placebo vem da crença no tratamento. Mas, ao 34 mesmo tempo, a coisa não é tão simples, porque o placebo pode funcionar mesmo se for descoberto e a pessoa souber que não está sendo tratada de verdade. As causas do efeito placebo podem ser mais complexas do 37 que parecem. Uma possibilidade, levantada em artigos recentes, é que ele surja de associações subconscientes entre a experiência de ser tratado e a recuperação da saúde. Ou seja: quanto mais a 40 pessoa acredita que vai melhorar, por uma série de razões, mais ela tem chance de conseguir. 43 Bruno Garattoni e Tiago Cordeiro. O mistério do efeito placebo. Superinteressante, ed. 458, Editora Abril, dez./2023 (com adaptações). 46 49
A respeito da justificativa para a não ocorrência de crase no trecho “Pauletich se submeteu a uma cirurgia no cérebro” (linhas 20-21), assinale a alternativa correta.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



