Questões de Língua Portuguesa · Ibest

Língua PortuguesaElipse e substituição lexicalIbest 2025

CREFONO 5

Questão de Língua Portuguesa

1 Uma sensação difusa, próxima de uma ansiedade, mas sem objeto, parecida também com o medo, mas sem causa específica. Uma inquietude 4 metafísica, mas sem linguagem organizada. Nem bem um pavor, nem bem horror ou terror, mas um mal-estar, uma falta flutuante, uma ameaça 7 fantasmática e um sobressalto iminente. Eis o quadro de uma experiência conhecida individualmente e que hoje se torna um sintoma social. Ele diz respeito a um 10 conceito filosófico fundamental, a angústia. É a angústia que nos dá a medida da experiência do sujeito enquanto sujeito humano. No 13 lugar de um “penso, logo existo”, poderíamos definir a experiência da angústia como aquilo que está no lugar do pensamento. Como se a angústia fosse o 16 nascedouro da consciência. Na visão do filósofo dinamarquês Kierkegaard, a angústia é constitutiva da condição humana. Ela faz 19 parte da vida. Inevitável, ela surge no momento em que somos confrontados justamente com as possibilidades da vida, sejam elas boas ou não aos 22 olhos acostumados às sombras das verdades prontas. A angústia é o efeito do nosso contato com as possibilidades da vida mais ou menos estreitas 25 conforme as circunstâncias vividas por cada um. Ao falar de angústia, estamos diante daquilo que nos oprime, como um canal estreito, um obstáculo a ser 28 atravessado. Tal é a sua etimologia. Mas ela é mais do que um sentimento, ela é a posição que implica a percepção, um certo tipo primitivo de saber sobre o 31 caráter absurdo da vida e, no meio dele, a consciência do minúsculo ser humano lançado entre a potência e a impotência, o brilho e o apagamento, a grandeza e 34 a miséria de sua própria condição. Talvez o reconhecimento de que há um destino para além da vontade humana reposicione o ser 37 humano diante da natureza, da história, do outro e de si mesmo. Talvez a angústia ceda de sua imobilidade diante da aceitação da finitude. Mas como aceitar a 40 finitude nesse tempo em que perdemos a capacidade de meditar sobre a morte e, ao mesmo tempo, tudo parece tão morto? 43 A angústia nos coloca, portanto, a questão de nossa presença no mundo. Não se trata apenas da pergunta pelo que somos, ou o que fazemos, mas o 46 que estamos experimentando. O que recebemos, damos e “levamos” dessa vida? O que é realmente importante? O que realmente pode ou deve ser vivido? Como vivemos diante do fato de que estamos 49 necessariamente relacionados a nós mesmos, além de estarmos relacionados aos outros e à alteridade 52 como lugar da diferença? Bem vivida, a angústia é a chance de estabelecer uma relação autêntica com a gente 55 mesmo. Com o que somos. Ela envolve uma autopedagogia pessoal. Nela é que podemos nos perguntar “como me 58 relaciono comigo mesmo?”, que é algo bem mais complexo do que a crença em um “autoconhecimento”. É a angústia que pode nos dar 61 as condições de fazer a pergunta “como me torno quem eu sou?”. E me faz saber que não posso responder a ela 64 se não avaliar as demandas, as imposições, as ordens e os modismos que me afastam de mim. É a angústia, portanto, que me devolve a mim mesma. Que evita a alienação à qual nos convida o nosso tempo. 67 Marcia Tiburi. O aprendizado da angústia. Internet: <https://revistacult.uol.com.br> (com adaptações).

Sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto, o vocábulo “ceda” (linha 38) poderia ser substituído por

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