Questões de Língua Portuguesa · CPSI (UFPEL)

Língua PortuguesaConjugação de verbos regulares e irregularesCPSI (UFPEL) 2012

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Questão de Língua Portuguesa

Letícia Sorg 1 A resposta de qualquer pai ou mãe, questionado sobre o que deseja para os filhos, está sempre na ponta da 2 língua: “Só quero que sejam felizes”. A frase não deixa dúvidas de que, numa sociedade moderna, livre de muitas das 3 restrições morais e culturais do passado, a felicidade é vista como a maior realização de um indivíduo. Até governos 4 nacionais se viram na obrigação de fazer algo a respeito. Neste ano, a China e o Reino Unido anunciaram a intenção de 5 medir o grau de felicidade de seus habitantes. Os governantes, espera-se, querem o melhor para seu país, assim como os 6 pais querem o melhor para seus filhos. Mas a ambição de sempre colocar um sorriso no rosto pode ter um efeito contrário. 7 A pressão por ser feliz, condição nada fácil de ser definida, pode acabar reduzindo as chances de as pessoas viverem bem. 8 “Quero que meus filhos sejam felizes, mas também que encontrem um propósito e conquistem seus 9 objetivos”, diz o americano Martin Seligman, considerado o mestre da psicologia positiva. Depois de estudar a busca da 10 felicidade por mais de 20 anos, ele afirma ser tolice elegê-la como a única ambição na vida. Ex-presidente da Associação 11 Americana de Psicologia, professor da Universidade da Pensilvânia, pai de sete filhos e avô pela quarta vez, Seligman reviu 12 suas teorias e concluiu que é preciso relativizar a importância das emoções positivas. “Perseguir apenas a felicidade é 13 enganoso”, diz Seligman. Segundo ele, a felicidade pode tornar a vida um pouco mais agradável. E só. Em seu lugar, o ser 14 humano deveria buscar um objetivo mais simples e fácil de ser contemplado: o bem-estar. Em seu novo livro, Flourish 15 (Florescer), Seligman apresenta cinco fatores fundamentais para viver bem. A felicidade (emoções positivas), quem diria, 16 seria apenas um deles, ao lado de propósito, realização, engajamento e relações pessoais. 17 (...) 18 É consenso entre os pesquisadores que grande parte da felicidade, assim como a personalidade, é 19 determinada já no nascimento. “A genética explica quase metade da variação da felicidade”, diz Ragnhild Bang Nes, do 20 Instituto de Saúde Pública da Noruega. Mas, se a felicidade já está inscrita nos genes, não podemos alterá-la? Segundo 21 Martin Seligman, é possível aumentar a duração e a intensidade das emoções positivas, mas a melhoria esbarra num teto: a 22 personalidade de cada um. O conformismo, então, é o que nos resta? Não, responde Seligman. Para ele, a principal 23 vantagem da teoria do bem-estar é permitir a qualquer um, independentemente de sua personalidade ou condição de vida, 24 avançar para uma situação melhor. Como viver bem dependeria não só das emoções positivas, mas também de outros 25 quatro fatores, cada um pode encontrar seu próprio caminho. “Minha razão para negar um lugar privilegiado para a emoção 26 positiva é a libertação”, afirma o psicólogo em seu livro. “A visão de que a felicidade está ligada ao humor condena 50% da 27 população do mundo, que é introvertida, ao inferno da infelicidade.” Na teoria do bem-estar, ou do florescimento, quem 28 não é “para cima” pode compensar adicionando propósito e engajamento à própria vida. Por esse raciocínio, nem todo 29 mundo conseguiria ser exatamente feliz, mas todos podem viver bem. Saber disso tira uma tonelada de ansiedade de 30 nossos ombros. Em vez de tentar se adaptar a outro jeito de ser, de buscar o bem-estar em terras longínquas, é possível 31 cultivar um jeito próprio de viver bem. 32 (...) 33 No livro Felicidade: lições de uma nova ciência (BestSeller, 2008), o economista britânico Richard Layard 34 coloca as interações sociais – de amizades ou amorosas – como os fatores externos mais importantes de nossa vida. Em sua 35 pesquisa, as pessoas que começam a ver seus amigos quase todos os dias reportaram, ao final de um ano, um nível de 36 felicidade 0,161 mais alto (num total de 7). Isso é mais que o efeito do primeiro ano de casamento, responsável por um 37 aumento de 0,134 na felicidade do casal. O tipo de amizade também é importante, e é melhor que seus amigos sejam bem- 38 humorados. Segundo o médico e sociólogo Nicholas Christakis, autor do livro O poder das conexões (Campus, 2009), a 39 felicidade é contagiosa – assim como a depressão. Cada amigo feliz de nossa rede aumentaria em 9% nosso próprio bom 40 humor – enquanto um amigo infeliz causaria uma queda de 7%. Mas a solução não seria sair correndo atrás de muitos 41 amigos. Em tempos de Facebook, Orkut e outras redes virtuais, em que alguns expõem orgulhosos listas com mais de 2 mil 42 “amigos”, é importante saber qual é sua verdadeira e sólida base social. Segundo o biólogo evolucionista Robin Dunbar, o 43 cérebro humano só é capaz de lidar com 150 amizades ao mesmo tempo. No grupo mais íntimo – e mais importante –, 44 estariam só cinco pessoas. Mas não existem regras. Há quem consiga melhorar seu bem-estar criando relações melhores Cargo: Auxiliar de Enfermagem/Classe C-101 - 3 / 11 45 com mais pessoas e há também quem se sinta confortável com cinco. “Uma das principais sabedorias é respeitar a 46 característica de cada um”, diz a psicóloga Cláudia Giacomoni, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 47 Obtido o desejado nível de bem-estar, muitos podem perguntar se a conquista seria duradoura. Embora parte 48 dos brasileiros cite a juventude como um fator importante para se sentir feliz, estudos mostram que nosso bem-estar 49 aumenta com o passar dos anos. É verdade que a infância é uma fase propensa a uma grande dose de felicidade, mas o 50 mesmo pode ser dito da terceira idade. Pesquisadores descobriram que, com o envelhecimento, há um aumento de bem- 51 estar. As dificuldades surgem mesmo durante a vida adulta, repleta de desafios, pressões e inevitáveis frustrações. A 52 explicação para essa evolução estaria nas mudanças internas, e não em nosso entorno. Com o passar do tempo, nosso 53 comportamento muda. As pessoas mais velhas brigam menos, sabem como solucionar um conflito, controlam melhor suas 54 emoções e aceitam mais os infortúnios. Há várias teorias sobre por que isso acontece. Laura Carstensen, professora de 55 psicologia da Universidade Stanford, afirma que os mais velhos sabem o que realmente importa e, por isso, focam no 56 essencial. Com isso, aliviam a pressão pela felicidade imediata e se aproximam do bem-estar. Como diz o historiador 57 Richard Schoch, autor do recém-lançado A história da (in)felicidade, quando a felicidade está ligada a algumas condições, 58 deixa de ser um direito de todo ser humano e se torna um privilégio de poucos. Ele diz que basta que tenhamos nascido 59 para termos o direito e a capacidade de ser feliz. Para que esse objetivo não pese sobre nossos ombros, em vez de nos 60 lançarmos numa incessante busca da felicidade – muitas vezes infrutífera –, deveríamos apenas descobrir como viver bem, a 61 nossa própria maneira. (Revista Época – 23/05/2011)

Analise a frase a seguir, presente no início do segundo parágrafo do texto, observando com atenção o emprego das formas verbais. “Quero que meus filhos sejam felizes, mas também que encontrem um propósito e conquistem seus objetivos.” Caso os verbos “quero”, “sejam”, encontrem” e “conquistem” fossem substituídos, seguindo a ordem em que se encontram, qual das propostas a seguir apresentaria a combinação adequada das formas verbais, estando de acordo com a norma padrão da língua portuguesa?

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