Língua PortuguesaEstratégias e tipos de argumentoCONSULTEC (AIETEC) 2026
UNIFACCAMP
Questão de Língua Portuguesa
A arte abre os armários, areja os porões e os sótãos. Traz alívio e cura. Mas antes que uma ferida possa cicatrizar, ela precisa ser vista; e o ato de expor a ferida ao ar e à luz, o ato do artista, com frequência provoca uma reação das pessoas que pretendem envergonhá-lo. Críticas ruins são uma das principais fontes de vergonha para muitos Página 2 artistas. A verdade é que muitas críticas realmente têm a intenção de envergonhar o artista. “Que vergonha! Como você ousou criar essa péssima obra de arte?” Para o artista que foi envergonhado na infância, por causa de alguma forma de carência, por causa de algum tipo de exploração ou de expectativa o sentimento pode surgir antes mesmo de receber o empurrão de uma crítica humilhante. Se uma criança já ouviu algo que a fez se sentir tola por acreditar no próprio talento, o ato de realizar uma obra de arte do início ao fim pode ser repleto desse sentimento de vergonha interior. Muitos artistas principiam uma obra, avançam com facilidade e, quando estão perto do final, começam misteriosamente a acreditar que o trabalho não tem qualquer mérito. Que não vale a pena o esforço. Para os terapeutas, esse desinteresse repentino (“Não tem mesmo importância”) é um dispositivo comum para as pessoas suportarem o sofrimento e protegerem suas vulnerabilidades. Adultos criados em lares disfuncionais aprendem a usar esse recurso muito bem. Chamam isso de desapego, mas na verdade é uma forma de dormência e perda de sensações. “Ah, ele esqueceu meu aniversário. Não tem importância, não é nada demais.” Uma vida inteira com esse tipo de experiência, na qual a necessidade de reconhecimento é continuamente desonrada, ensina a criança que mostrar qualquer coisa que chame atenção para si é um ato perigoso. “Arrastar o osso invisível até chegar em casa” é como uma artista em recuperação caracterizou sua busca vã por uma conquista significativa o bastante para obter a aprovação da família. “Não importava a importância, o sucesso do que eu fazia, eles nunca pareciam notar. Sempre achavam algo errado. Se meu boletim vinha com a nota 10 em todas as matérias e apenas um 9, era essa nota que chamava atenção.” É natural que uma criança artista tente chamar a atenção dos pais através de suas proezas, positivas ou negativas. Ao se deparar com indiferença ou fúria, esses jovens logo aprendem que nenhum osso será recebido com aprovação. Muitas vezes, os outros nos fazem sentir vergonha por sermos criativos. A partir dessa humilhação, aprendemos que é errado criar. Com essa lição, nos esquecemos de tudo instantaneamente. Enterrada sob a expressão “Não tem importância”, a vergonha persiste, esperando para se agarrar aos nossos futuros esforços. O mero ato de tentar fazer arte já nos envergonha. CAMERON, Julia. O caminho do artista: desperte o seu potencial criativo e rompa seus bloqueios. Tradução de Leila Couceiro. Rio de Janeiro: Sextante, 2017, p. 100-101.
Considerando a progressão argumentativa do texto, a expressão “Não tem importância” é apresentada como
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
