Língua PortuguesaCraseCOPESE UFPI 2014
UFPI
Questão de Língua Portuguesa
Clima extremo Ondas de calor, secas, invernos rigorosos, enchentes e furacões. Tudo nos últimos dez anos. Onde isso vai parar? 01 O calor infernal nas regiões Sul e Sudeste no começo do ano parece um evento singular. Mas uma breve 02 retrospectiva da história do planeta nos últimos anos mostra que esses episódios estão se tornando cada vez 03 mais comuns. Pode apostar sem medo de errar: haverá outras ondas de calor tão fortes ou mais que essa ao 04 longo das próximas décadas. Esses são os chamados eventos extremos. Nisso se enquadram a ampliação do 05 número de furações por temporada, as secas na Amazônia, as ondas de calor e os alagamentos, entre outros. 06 E aí, é claro, entram em cena aqueles que lembram que, enquanto nós estávamos sofrendo com um calor 07 de deserto, americanos e canadenses encararam um dos invernos mais rigorosos de sua história. Chegou a fazer 08 mais frio no Canadá do que em Marte. Onde estava o aquecimento global nessa hora? 09 O aumento da frequência dos eventos extremos é o principal sintoma das mudanças climáticas – que vão 10 muito além do calor. É o que os cientistas falam há anos. Pode parecer paradoxal, mas os modelos climáticos 11 explicam como o aumento médio de temperatura da Terra leva a invernos mais rigorosos. 12 Sobre o Polo Norte, existe o que os cientistas chamam de vórtice polar. É um ciclone permanente que fica 13 ali, girando. Em sua força normal, ele segura as frentes frias nessas altas latitudes. Mas, com a temperatura da 14 Terra cada vez mais alta, existe uma tendência de que o vórtice polar se enfraqueça. Assim, as frentes frias, 15 antes fortemente presas naquela região, se dissipam para latitudes mais baixas. E o friozão polar chega aos 16 Estados Unidos. Mudança climática não é sinônimo puro e simples de aumento de temperatura média da Terra. 17 Outros processos, que envolvem a possível savanização da Amazônia, o aumento dos desertos e o deslocamento 18 das regiões mais propícias para a agricultura, também estão inclusos no pacote. 19 É possível atrelar cada um desses episódios, individualmente e sem de dúvida, à mudança climática? 20 Não. Fenômenos atmosféricos e de correntes marinhas têm componentes aleatórios e imprevisíveis. Por isso é 21 possível ter flutuações de temperatura ano a ano que podem disfarçar a tendência de aquecimento. 22 Nos últimos tempos, os chamados “céticos do clima” têm apontado uma tendência à estabilização da 23 temperatura média. Se analisarmos os últimos 15 anos, veremos flutuações ano a ano, mas sem uma curva clara 24 de aumento. Aí mora o erro. Os pesquisadores do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC), 25 órgão da ONU que consolida as descobertas sobre a transformação do clima, apontam que 15 anos é um período 26 irrelevante. A análise de dados desde o século 19 revela um aumento de temperatura cada vez mais acentuado a 27 partir da década de 1960. 28 Além disso, é preciso lembrar que há um consenso crescente entre os astrônomos de que o Sol está 29 entrando numa fase de baixíssima atividade. Cogita-se que ele esteja no mesmo patamar da época da chamada 30 “pequena era do gelo”. Ocorrida entre 1645 e 1715, ela ficou marcada por invernos rigorosos na Europa e 31 coincidiu com a baixa frequência de manchas solares. Ou seja, o calorão está de rachar mesmo como o Sol 32 dando uma trégua. 33 Ainda não está claro como essas mudanças no ciclo de atividade solar influenciam o clima da Terra, mas 34 é possível que o fenômeno possa ter ajudado a dar uma aplainada na tendência de aumento de temperatura. 35 Se o Sol estiver mesmo esfriando, trata-se de uma possível boa notícia. Com essa mãozinha de nossa estrela- 36 mãe, talvez ganhemos algumas décadas para reduzir as emissões de gases-estufa antes que a temperatura volte 37 a seguir a trajetória de aumento. Mas gases como o CO2 permanecem pelo menos cem anos na atmosfera assim 38 que os soltamos nela. Então, não há tempo a perder. NOGUEIRA, Salvador. Clima extremo. Revista Superinteressante. Edição 330 de março de 2014, pp. 56 a 59 (com supressões).
Levando-se em conta o trecho “Nos últimos tempos, os chamados “céticos do clima” têm apontado uma tendência à estabilização da temperatura média” (linhas 22 e 23), julgue os itens abaixo: I. A expressão “Nos últimos tempos” é separada por vírgula por ter natureza adverbial e por estar deslocada do fim para o começo do período; 3 | P á g i n a II. O verbo “ter”, flexionado “têm”, recebe acento porque possui, como núcleo do sujeito, a palavra “chamados”; III. O uso do acento grave no trecho se justifica porquanto a palavra “tendência” exige a preposição “a” e a palavra “estabilização” admite o artigo feminino “a”.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.




