Língua PortuguesaPronomes relativosConsulplan 2025
CRP 3 (BA)
Questão de Língua Portuguesa
Onde anda o analista de Bagé? Não sei. As notícias são desencontradas. Há quem diga que ele se aposentou, hoje vive nas suas terras perto de Bagé e se dedica a cuidar de bicho em vez de gente, só abrindo exceção para eventuais casos de angústia existencial ou regressão traumática de fundo psicossomático entre a peonada da estância. Lindaura, a recepcionista que além de receber também dava, estaria com ele, e teria concordado em dividir o afeto do analista com uma égua chamada Posuda, desde que eles concordassem em nunca serem vistos juntos em público. Outros dizem que o analista morreu, depois de tentar, inutilmente, convencer o marido de uma paciente que banhos regulares de jacuzzi a dois num motel faziam parte do tratamento. E há os que sustentam que o analista continua clinicando, na Europa, onde a sua terapia do joelhaço, conhecida como “Thérapie du genou aux boules, ou le methode gaúchô”, tem grande aceitação e ele só tem alguma dificuldade com a correta tradução de “Pos se apeie nos pelego e respire fundo no más, índio velho”, no começo de cada sessão. Não sei. Bagé Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem. Algumas das pessoas mais sensíveis e menos grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o próprio analista de Bagé, história apócrifa é mentira bem educada) mas, pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar. Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão. – Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho. – O senhor quer que eu deite logo no divã? – Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro. – Certo, certo. Eu... – Aceita um mate? – Um quê? Ah, não. Obrigado. – Pos desembucha. – Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano? – Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope. – Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe. – Outro... – Outro? – Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque. – E o senhor acha... – Eu acho uma pôca vergonha. – Mas... – Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê! (VERÍSSIMO, Luís Fernando. O analista de Bagé. Rio de Janeiro: L&PM, 1982. Fragmento.) MANHÃ | TIPO 1 – BRANCA Ꙃ 4
Leia o trecho a seguir: “Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que, por alguma razão, possuem.” (6º§) No trecho anterior, o pronome relativo “que” é utilizado para:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



