Língua PortuguesaVerbos defectivos e abundantesFCC 2004
TRT 8
Questão de Língua Portuguesa
O crescimento explosivo das favelas nas últimas décadas, especialmente nas megalópoles do Terceiro Mundo, desde a Cidade do México e outras capitais latino-americanas até a África (Lagos) e Índia, China, Filipinas e Indonésia, talvez constitua o fato geopolítico crucial de nossos tempos. O caso de Lagos, no corredor de favelas, com 70 milhões de habitantes, que se estende de Abidjan [capital da Costa do Marfim] até Ibadan [na Nigéria], é exemplar: ninguém nem sequer sabe o tamanho de sua população. Como em algum momento muito próximo a população urbana do mundo vai superar a população rural (é possível que, dada a imprecisão dos censos realizados no Terceiro Mundo, isso já tenha acontecido) e como os favelados vão compor a maioria da população urbana, não estamos tratando de um fenômeno marginal, de maneira nenhuma. Estamos assistindo ao crescimento acelerado da população fora do controle estatal, grande parte vivendo fora da lei, terrivelmente carente de formas mínimas de auto-organização. Embora sua população seja composta de trabalhadores marginalizados, desempregados e ex-camponeses, as favelas não formam um simples excedente: elas são incorporadas à economia global de diversas maneiras, com alguns de seus moradores trabalhando como assalariados informais ou autônomos, sem acesso à saúde ou à previdência (a principal fonte de aumento das favelas é a inclusão dos países de Terceiro Mundo na economia global, com importações alimentares baratas dos países do Primeiro Mundo, devastando as agriculturas locais). Embora, é claro, devamos resistir à tentação fácil de elevar e idealizar os favelados, enxergando-os como nova classe revolucionária, também devemos, como propõe [o filósofo Alain] Badiou, enxergar as favelas como um dos poucos “lugares eventuais” da sociedade contemporânea - pois os favelados são literalmente uma coleção daqueles que formam a “parte de parte alguma”, o elemento “excedente” da sociedade, a parte excluída dos benefícios da cidadania, os desenraizados e despossuídos, aqueles que, de fato, “não têm nada a perder, exceto as correntes que os prendem”. (Adaptado de Slavoj Zizek, com tradução de Clara Allain, Mais!, 5 de setembro de 2004, p.11) 2 24/11/04 - 10:50
... para tudo que se refira ao mundo físico ... (1 parágrafo) O verbo aparece nos mesmos tempo e modo em que se encontra a forma grifada acima na frase:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
