Língua PortuguesaInterpretação de textosPLANEXCON 2022
Pref Jumirim
Questão de Língua Portuguesa
David Neves passava de carro às onze horas de certa noite de sábado por uma rua de Botafogo, quando um guarda o fez parar: — Seus documentos, por favor. Os documentos estavam em ordem, mas o carro não estava: tinha um dos faróis queimado. — Vou ter de multar– advertiu o guarda. — Está bem– respondeu David, conformado. — Está bem? O senhor acha que está bem? O guarda resolveu fazer uma vistoria mais caprichada, e deu logo com várias outras irregularidades: — Eu sabia! Limpador de para-brisa quebrado, folga na direção, freio desregulado. Deve haver mais coisa, mas para mim já chega. Ou o senhor acha pouco? — Não, para mim também já chega. — Vou Ter de recolher o carro, não pode trafegar nessas condições. — Está bem– concordou David. — Não sei se o senhor me entendeu: eu disse que vou ter de recolher o carro. — Entendi sim: o senhor disse que vai ter de recolher o carro. E eu disse que está bem. — O senhor fica aí só dizendo está bem. — Que é que o senhor queria que eu dissesse? Respeito sua autoridade. — Pois então vamos. — Está bem. Ficaram parados, olhando um para o outro. O guarda, perplexo: será que ele não está entendendo? Qual é a sua, amizade? E David, impassível: pode desistir, velhinho, que de mim tu não vê a cor do burro de um tostão. E ali ficariam o resto da noite a se olhar, em silêncio, a autoridade e o cidadão flagrado em delito, se o guarda enfim não se decidisse: — O senhor quer que eu mande vir o reboque ou prefere levar o carro para o depósito o senhor mesmo? — O senhor é que manda. — Se quiser, pode levar o carro o senhor mesmo. Sem se abalar, David pôs o motor em movimento: — Onde é o depósito? O guarda contornou rapidamente o carro pela frente, indo sentar-se na boleia: — Onde é o depósito…O senhor pensou que ia sozinho? Tinha graça! Lá foram os dois por Botafogo afora, a caminho do depósito. — O senhor não pode imaginar o aborrecimento que ainda vai ter por causa disso — o guarda dizia. — Pois é — David concordava: — Eu imagino. O guarda o olhava, cada vez mais intrigado: — Já pensou na aporrinhação que vai ter? A pé, logo numa noite de sábado. Vai ver que tinha aí o seu programinha para esta noite…E amanhã é domingo, só vai poder pensar em liberar o carro a partir de segunda-feira. Isto é, depois de pagar as multas todas... — É isso aí– e David o olhou, penalizado: — Estou pensando também no senhor, se aborrecendo por minha causa, perdendo tempo comigo numa noite de sábado, vai ver que até estava de folga hoje... — Pois então? — reanimado, o guarda farejou um entendimento: — Se o senhor quisesse, a gente podia dar um jeito… O senhor sabe, com boa vontade, tudo se arranja. — É isso aí, tudo se arranja. Onde fica mesmo o depósito? O guarda não disse mais nada, a olhá-lo, fascinado. De repente ordenou, já à altura do Mourisco: — Pare o carro! Eu salto aqui. David parou o carro e o guarda saltou, batendo a porta, que por pouco não se despregou das dobradiças. Antes de se afastar, porém, debruçou-se na janela e gritou: — O senhor é um psicopata!
Pode-se afirmar que o guarda tinha:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
