Língua PortuguesaInterpretação de textosCSC IFPA 2019
IF PA
Questão de Língua Portuguesa
Leia o fragmento do romance Pssica, de Edyr Augusto Proença. Já passava das duas da manhã quando, silenciosamente, amarraram a rabeta em um toco e chegaram ao Portuga. Pitico bateu na porta. Seu irmão, Índio, ficou atrás. Uma mulher perguntou quem era. Tô precisando de um quilo de açúcar, comadre! É madrugada, tá fechado! Por favor, é uma emergência! Abriu uma fresta. Entraram com tudo. Cala a boca e dá o serviço! Manoel! Ela grita e leva uma coronhada que lhe abre um rasgo no supercílio. Do segundo andar, um tiro. Índio grita e caí. O filho da puta me acertou, caralho! Puta que pariu, vaza, vaza, porra! Eles atiram na direção da escada enquanto Preá carrega Índio e Pitico carrega a mulher como escudo. Saem correndo. Mais tiros no seu encalço. Na rabeta, ao largo, Índio geme, estrebuchando. Pitico o abraça. Mano, tu não vai morrer. Não vou deixar. O filho da puta me acertou! Olha o rombo. Isso foi fuzil! Índio foi se engasgando com sangue e tombou. Mano, não morre! E agora, meu Deus?! Vou voltar pra matar esse desgraçado. E tu, mulher, tu vai morrer. Vai morrer devagar como meu mano morreu. Tu vai sofrer. Não faz isso, não. Não me mata, pelo amor de Deus! Preá, dá aí esse terçado. Não faz maldade, não. Não me mata, por favor. Pitico desfere um golpe e decepa a mão. Ela grita, se curva, tenta se jogar da rabeta. Pitico não deixa. Vai morrer, filha da puta, sofrendo. Agora ele corta o pé. Ela grita. Vai, Preá. Tá gelado, porra? Vamos, caralho! Sem paciência, ele enfia o terçado no bucho da mulher, que já não se mexe. E a decapita em uns cinco golpes. Joga fora a cabeça. O corpo. Está todo ensanguentado. Senta na proa e fica assim até voltarem. Preá, o Portuga vem aí atrás da gente. Vaza, some por uns tempos. Eu me cuido. Quero que ele venha porque eu vou me vingar. (AUGUSTO, Edyr. Pssica [romance]. São Paulo: Boitempo, 2015, p. 13-14) O fragmento do romance retrata: I. O cotidiano da gente miúda, anônima e invisível dos grandes centros urbanos, sem nenhum vínculo com os problemas históricos da Amazônia. II. A brutalidade de uma realidade marginal, desconhecida nas sociedades pósmodernas. III. Uma narrativa que abre espaço para a voz das personagens, sobretudo, pelo uso de gírias e palavrões. IV. Uma narrativa cujo ritmo alucinante é coerente com a violência brutal do mundo do crime. É correto o que se afirma em:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
