Língua PortuguesaComparação entre textos e intertextualidadeLegatus 2022
Pref José de Freitas
Questão de Língua Portuguesa
Formigas que comem gafanhotos Sempre foi sobre os corpos. Sobre o controle dos corpos. Não quaisquer corpos, porém. Mas os daqueles que são chamados de minorias. Os não brancos, os não homens, os não heterossexuais, os não cisgêneros. “A guerra contra a Terra começa na cabeça dos homens. E eu quis dizer homens, especialmente homens que controlam o poder e o capital”, diz Vandana Shiva em As Sementes de Vandana Shiva (EUA, Australia, 2021), documentário de Camilla e James Becket. Vandana Shiva, conhecida também como o “pesadelo da Monsanto”. Vandana, a indiana que enxergou antes da maioria qual era a guerra do nosso tempo, aquela que não é mais travada entre países, mas entre corporações transnacionais. A guerra travada contra a natureza, contra o planeta-corpo. “Quando você vende armas reais, você controla exércitos. Quando você controla a comida, você controla a sociedade. Quando você controla a semente, você controla a vida na Terra”, ensina Vandana, e grita. É então atacada pela máquina de desqualificação das corporações que denuncia. Agora que as gerações dos vivos têm diante de si o maior desafio da trajetória dos humanos neste planeta, a catástrofe climática, cavada pelas máquinas da minoria dominante que comanda as grandes corporações, os governos e os parlamentos, torna-se explícita. O sistema e a lógica que destroem o corpo das minorias são os mesmos que destroem o corpo do planeta. Primeiro coisificam. O rio, a montanha, as árvores viram objetos. Passam a ser chamados de “recursos”. E então colonizados, civilizados, enformados, subjugados, domados. Dos corpos coisificados tudo o que pode virar dinheiro é arrancado, e não há limite, porque já não é preciso ter quando o ser já não é – ou nunca foi. É a coisa-commodity. Depois de esgotados, os corpos são então abandonados, a coisa-coisa, a coisa-lixo, a coisa-dejeto, a coisa-rejeito que cobriu Mariana e Brumadinho. Tudo o que morre em cadeia, ao redor, abaixo e acima, é dano colateral, é sacrifício necessário, porque com o corpo dos outros – o sacrifício do capitalismo é sempre para o outro, com o corpo do outro. O corpo do outro é a carne mais barata do mercado. (Disponível em https://diplomatique.org.br/formigas-quecomem-gafanhotos/ Acesso em 09/09/2022)
Nesse texto, a autora recorre à intertextualidade, dialogando com a música de Elza Soares do álbum “Do cóccix até o pescoço”. Esse recurso
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

