Língua PortuguesaPonto de vista e posicionamento do autorLegalle 2026
Pref Arroio Grande
Questão de Língua Portuguesa
Apraçaeolixo A praça é o palco da vida pública. Sobre as pedras da Acrópole, Sócrates parava gente comum para perguntar o que e justiça, beleza, verdade. A democracia, ou pelo menos a sua ideia, nasceu no espaço mais plural possível, onde a diferença não e defeito, é condição. A praça também e feira, Íesta, anúncio de milagre, arte. É concerto e é ruído. Há quem venda pomada para a dor e quem venda profecia para a alma; há quem cante com técnica e há quem nos emocione com um violão desafinado. A praça funciona como moldura, um enquadramento para a vida social. Essa moldura urbana tem a peculiaridade de aceitar qualquer conteúdo. Cabe todo mundo. O colorido das etnias, a musicalidade das vozes, as brincadeiras de todas as tribos. A convivência no seu ponto mais avançado. E, por isso mesmo, mais frágil. Se existe uma viftude decisiva no domínio que nós, sapiens, conquistamos, talvez seja a capacidade de conviver e se misturar. As descobertas mais recentes sobre o destino dos nossos "primos" neandertais desmontam a fantasia heroica da chacina absoluta. Nós não apenas passamos por eles; cruzamos com eles. Carregamos algo deles no corpo, no no sangue, DNA, como uma memória inconsciente. A praça potencial de celebra o estar com o outro radical e, mais que isso, trocar, aprender, ser atravessado. Mas não quero idealizar demais. É verdade que o nosso país trata essa vocação como uma ideia perigosa. O medo da violência urbana empurra parte de nós para fora da vida em comum. A alternativa mais radical tem nome limpo e portaria pesada: condomínio. Entrar em alguns parece exigir mais protocolos do que entrar no caixa do Banco Central. O medo não é invenção, mas o preço é alto. Não falo do custo que o dinheiro paga, mas do custo da convivência. Viver só entre iguais, além de não ser totalmente verdade, é prof u ndamente empobrecedor. Isso acontece em qualquer bairro, em qualquer rua. Por economia, gosto, historia pessoal, a gente tende a morar perto de quem se parece mais ou menos conosco. E, ainda assim, voltando para casa, eu olhei de longe e não soube reconhecer figura na esquina da minha rua. um a Era vizinho "algo"? largando sacos de resíduos? Era alguém procurando A dúvida durou poucos ficou em mim como segundos, mas uma acusação. Pensei então que o contêiner de lixo e, muitas vezes, a ponte para fora da única bolha. Uns deixam os restos. E aquilo que é resto para uns é tudo para quem recolhe. No lixo, revela-se uma verdade sem maquiagem: ali somos menos que bicho. E volta, como um soco antigo, a frase de Bandeira: "Esse bicho, meu Deus, era um homem." Autor: Júlio César Kunz - GZH (adaptado). 6
A passagem final, em que o autor associa o contêiner de lixo à frase de Manuel Bandeira, aprofunda a crítica social do texto porque:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

