Língua PortuguesaFormas nominais do verboCebraspe 2006
ANATEL
Questão de Língua Portuguesa
Como não usar o telefone celular É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares. Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas, ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um contato constante com o médico ou com o pronto-socorro. Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais, são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados possam interceptar o telefonema. Todas as três categorias enumeradas até agora merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos. Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário, representam um risco. A primeira é composta de pessoas incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam, mas precisamos compreender sua terrível aridez interior, agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar. A última categoria é composta de pessoas preocupadas em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala, dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller. O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de telefone celular, porque conta com um plantel de secretários tão vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo, por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário: nunca está para ninguém, como se diz. Portanto, todo aquele que ostenta o celular como símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar. Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.). Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).
As formas verbais de infinitivo “ir” (ℓ.19), “conversar” (ℓ.20) e “separar” (ℓ.21) poderiam assumir corretamente as seguintes formas flexionadas, respectivamente: irem; conversarem; separarem.
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