Questões de Língua Portuguesa · COPEVE UFMG

Língua PortuguesaDêixisCOPEVE UFMG 2008

UFMG

Questão de Língua Portuguesa

Texto 1 O mercado de palestras no Brasil vive uma fase de reaquecimento decorrente da retomada do crescimento da economia. Na ânsia de treinar os funcionários, melhorar o ambiente de trabalho e aumentar a produtividade, as maiores companhias brasileiras voltaram a gastar dinheiro contratando gurus. Na lista de convidados para falar, aparecem profissionais de especialidades variadas, desde economistas, consultores estrangeiros e professores, até mágicos, esportistas e um carnavalesco. "Estamos falando de uma atividade muito bem remunerada, um filão que atrai cada vez mais gente", diz Priscila David, da agência de contratação de palestrantes Palavra. O efeito dessa procura para os profissionais da área foi imediato. De um lado, a concorrência proliferou. Desde 2003 vem aumentando muito o número de pessoas que cobiçam esse mercado – nem todas bem preparadas. De outro lado, os palestrantes já estabelecidos estão com a agenda lotada. Os mais cotados recebem de três a cinco vezes mais convites do que podem atender e se dão ao luxo de escolher as empresas para as quais prestarão serviço. Todos numa agitação impressionante. Mas será que essas palestras provocam um efeito prático, além de engordar a conta bancária do palestrante? As empresas que os contratam retêm alguma informação útil? A excelência em certas profissões pode ser aferida de forma um pouco simplificada. O dentista, por exemplo. Quando o paciente chega ao consultório com dor de dente, espera-se que a dor passe com o fim do tratamento. Valeu a pena ir ao dentista só se a dor tiver passado! Do contrário, não valeu. Na linha de montagem, pode-se aferir a qualidade do profissional ao se contar quantas peças sem defeito ele produziu. No setor de transportes, pode-se verificar se a mercadoria foi entregue no prazo estipulado. Mas a situação muda de figura quando se trata, por exemplo, de uma campanha de marketing. Não há como saber de antemão quantos clientes serão sensibilizados por uma propaganda nem se a mensagem veiculada vai atraí-los a comprar ou, ao contrário, irritá-los. Quando se investe no desenvolvimento de um produto novo, vale a mesma lógica. É impossível saber que valor ele terá no mercado quando estiver pronto. As palestras estão mais próximas desse mundo do intangível. Elas não obedecem a uma relação de causa e efeito. Seu efeito reside no campo das probabilidades. Mas ainda assim, feitas todas as ressalvas, pode-se dizer que dão resultado. Uma palestra é parte de um conjunto de ações tomadas com o intuito de aumentar as chances de atingir um objetivo. A idéia é que o palestrante seja capaz de relatar conceitos, expor exemplos, contar casos que tragam novas perspectivas a seus ouvintes. Essas novas perspectivas são um manancial de possibilidades para levar a ações que tragam resultados para a empresa. Nesse terreno do intangível, acaba-se criando uma corrida pelas idéias. O resultado disso é que, onde surge um guru, aparece uma platéia animada para ouvi-lo. CONCURSO PÚBLICO UFMG / 2008 PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA / LEGISLAÇÃO Isso não quer dizer que qualquer palestra valha a pena. Se a empresa pensa em motivação sem antes investir em competência, está seguindo uma receita para o desastre. Empolgar-se com uma sugestão e não ser capaz de adaptá-la à sua realidade é outra fórmula de fracasso. Abraçar um discurso democrático, mas não trocar as práticas autoritárias é um terceiro caminho para o fiasco – a companhia passa a ser vista como cínica por seus funcionários. Pelo lado dos palestrantes, também é óbvio que há os bons e os ruins. Mas, de alguma forma, o mercado se regula. Os profissionais oferecem soluções diversas, e os que conseguem atender melhor às necessidades das empresas fazem mais sucesso. São inúmeras as possibilidades de especialização e muitos os prestadores de serviço. Destarte, é natural que este seja um mercado confuso e extremamente competitivo. Como em toda atividade, há os bem cotados e os aproveitadores, os que deixam seus clientes mais ou menos felizes. COHEN, David. Exame 22 nov. 2004. Disponível em http://portalexame.abril.com.br/ (Fragmento adaptado)

NÃO é função do último parágrafo do texto

Sua resposta

Mais questões de Dêixis

Ver as 216 questões de Dêixis

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.