Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaEscolas literárias brasileirasVunesp 2025

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Questão de Língua Portuguesa

Leia o excerto de “O jogo da poesia”, de Benedito Nunes, para responder às questões 46 e 47. Deus não joga dados, dizia Einstein. O poeta, sim, ele os joga; mas os seus dados são a matéria e a forma de linguagem. Ambas lhe abrem o caminho a uma preliminar experiência das coisas. Pela matéria sonora e gráfica, pela forma enunciativa ou expressional, antes de tudo pelo ritmo da frase — pausas, acentos, colisões, elisões —, a poesia lhe dá acesso ao mundo, porque torna manifesto, podemos dizê-lo numa paródia a Heidegger, o que há e o que pode haver, o possível no real e o real no possível. O poeta pode fazê- -la seguindo os modos e modas do momento presente e do passado ou se opondo à dominância de um estilo, à inércia histórica da tradição. Quando antitradicionalista, ele é um desviante; beneficia-o a rebelde vontade de negar o aceito, o consagrado, o dito e o redito, o por demais expressado. E negando-os, principia a mudar-se e a mudar a poesia. Mudando a poesia, critica-a e, por sua vez, entra em crise. É a crise o comum estado de consciência do poeta em nosso tempo. Em crise, o poeta de hoje, temendo a insídia1 da linguagem, para melhor poder estadear2, na palavra, o que em torno de si se dá — procura mostrar, enfim, o que ela enuncia. E que outro melhor meio de mostrar do que fazer ver, colocar o que se mostra verbalmente, como uma coisa no espaço à frente de quem lê — intuída pelo poeta e perceptível para o leitor? (Benedito Nunes. A clave do poético, 2009.) 1 insídia: traição. 2 estadear: ostentar.

De acordo com o autor, é uma característica frequente entre os poetas de seu tempo

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.