Língua PortuguesaCorrelação de tempos e modos verbaisFADESP 2022
SEFA PA
Questão de Língua Portuguesa
03 profissão?”, questionou o taxista. 04 Frodon, um dos mais respeitados críticos de cinema da França, abriu 05 nesta sexta-feira (10 de junho), no Rio de Janeiro, a programação do Festival 06 Varilux de Cinema Francês, que terá programação em 50 cidades, com uma 07 master class sobre o seu ofício. Tive o prazer de estar na plateia, junto com 08 alguns dos mais conhecidos críticos do Brasil e entusiastas da sétima arte, e 09 acompanhamos atentamente sua “aula de mestre”. Foi lição em cima de lição. O 10 francês, que foi diretor de redação da revista Cahiers du Cinéma de 2003 a 2009 11 e é autor de diversos livros sobre cinema, foi inspirador. Lembrou que, a cada 12 semana, quando novos filmes são lançados, são as pessoas que escrevem 13 sobre eles as responsáveis por dar “respeitabilidade artística” àquela obra. “O 14 filme, porém, vai além do fato de o crítico ter amado, odiado ou falado besteira 15 sobre um filme. Porque os críticos falam besteiras também…” 16 Frodon destaca que a crítica tem que se parecer com “um convite” para 17 que se explore algo novo. “Escrevemos para quem vai ver um filme ou para quem 18 já viu? Isso não tem a menor importância.” O que tem importância, para Frodon, 19 é não deixar que um filme se transforme em um produto. Ou seja, dar estrelinha, 20 coração ou carinha de bravo para definir se um filme é ou não é bom. 21 Na plateia, nesse momento, foi interessante observar alguns críticos do 22 jornal O Globo, famoso por sua cotação “O Bonequinho…” Para quem não está 23 familiarizado, as cotações variam de “O Bonequinho aplaudiu de pé” a “O 24 Bonequinho saiu da sala”, com algumas variantes no meio do caminho. “Na 25 prática, pode ser útil para ajudar o leitor a escolher por este ou aquele filme, mas 26 essa não é a razão de ser da crítica.” 27 Transformar um filme em produto “suprime a dimensão mais importante 28 do filme, que é a possibilidade dele ser tratado com uma obra de arte”, destacou. 29 “Um filme pode ser lazer, diversão, retratar um fenômeno social, dar medo, ser 30 um objeto de pesquisa, nos levar a outros planetas… Muitos são bonitos, 31 agradáveis, mas são objetos acabados, que não cumprem a promessa de se 32 tornarem uma obra de arte, enquanto outros sim, se diferenciam como obra de 33 arte.” 34 Para Frodon, muitos filmes acabam sendo como “papel de parede, 35 somente decorativos”, e o papel do crítico, na sua literatura, é explicar ao leitor 36 porque aquele filme descumpre a promessa de ser uma obra de arte. “Cinema é 37 muito mais que a história, os atores de quem gostamos, os efeitos especiais…” 38 A França, que tem 350 festivais de cinema por ano (!), é o berço da crítica 39 desde que Diderot resolveu escrever sobre pintura na segunda metade do século 40 18. No cinema, o Festival de Cannes é o auge de qualquer crítico e Frodon já 41 participou de muitos. “Quando começo uma crítica não sei o que vou escrever”, 42 admite o crítico, que mostra o caderninho no qual faz anotações durante o filme, 43 mas que diz não levar em conta. “Fazer anotações significa que não sou um 44 espectador normal, anoto, mas não releio, afinal, é difícil reler o que a gente 45 escreve no escuro”, diverte-se. 46 Frodon diz que gosta quando lê uma crítica que defende um filme do qual 47 não gostou. “É como entrar em uma outra emoção. Porque uma crítica é algo 2 48 pessoal, nós nos expomos, nos exibimos ali naquelas palavras que tentam 49 transmitir ideias que possam ser compartilhadas. Ser crítico é tentar ser um 50 escritor.” 51 Para Frodon, a chegada da internet, que deu voz a uma legião de críticos 52 sem espaço nas grandes mídias, “abre novas possibilidades”. “Um filme existe 53 para que se fale dele, o cinema leva as pessoas a falarem, antes falávamos entre 54 nós, agora podemos falar com todo o mundo”, resume. “É direito absoluto de 55 todos poder falar dos filmes.” 56 “Às vezes, inclusive, me deparo com críticas na internet que são muito 57 melhores, muito mais elaboradas, do que as que estão nas páginas dos jornais 58 e das revistas”, completa. O francês cita um conterrâneo, André Bazin, um dos 59 fundadores da revista Cahiers du Cinéma, que dizia que “todos os filmes nascem 60 livres e iguais em direito”, para um choque de realidade. “O que o Bazin dizia é 61 uma utopia. Sabemos que não é verdade, há os filmes ricos e poderosos e os 62 filmes pobres e desconhecidos.” 63 Frodon lamenta que, em um mundo com tantos e tantos filmes para ver, 64 o poder do marketing seja tão dominante. “Quanto mais filmes podemos ver, 65 mais vemos os mesmos filmes.” Daniela Prandi Disponível em http://asn.blog.br/2016/06/11/critico-de-cinema-mas-isso-e-uma-profissao/ Acessado em 6/12/2021 Texto adaptado
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De acordo com a norma, no enunciado O francês Jean-Michel Frodon contou que, um dia, um taxista lhe perguntou sua profissão (linhas 1 e 2), o verbo perguntar poderia ser substituído por sua forma no
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

