Questões de Língua Portuguesa · PGP UFV

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Questão de Língua Portuguesa

Cada vez mais longe da sala de aula. Tecnologia: O ensino a distância cresce 27 vezes em dez anos e abre uma nova janela para a qualificação profissional. por Aureliano Biancarelli. § 1 Há cada vez mais calouros aprovados na faculdade sem passar pelo funil do vestibular ou pelas estripulias do trote. São os estudantes do ensino a distância, uma modalidade de aprendizagem na qual a presença só é exigida nas provas e na entrega dos exercícios. O aluno estuda em casa ou nos intervalos do trabalho, no momento que puder e no horário que sobrar. As "aulas" chegam via satélite ou internet. Na média, custa um quarto de um curso presencial e, nos mercados europeu e americano, o diploma é tão valorizado quanto um convencional. No Brasil, apenas na graduação a distância, as matrículas saltaram de 40.714 em 2002 para 1.113.850 no ano passado, um pulo de 2.635% em uma década. § 2 O Censo da Educação Superior 2011/2012, divulgado este ano pelo MEC, informa que o País tem hoje 142 instituições credenciadas para oferecer cursos não presenciais. São 1.044 cursos de graduação a distância e 7.511 polos de apoio presencial para um total de matriculados que chega a 1,1 milhão. O número de matrículas nos cursos a distância aumentou 12,2% em um ano, enquanto a educação presencial teve crescimento de 3,1%. § 3 É uma diferença que chama a atenção, mas ainda pouco significa nas estatísticas do ensino superior. Apesar do crescimento, a educação a distância representa apenas 15,8% das matrículas na graduação. Ao citar os números, o ministro Aloizio Mercadante, da Educação, lembrou que, nos países desenvolvidos, metade dos estudantes segue cursos não presenciais. Para a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), a expectativa é de que em sete anos essa modalidade de ensino represente 40% das matrículas em graduação. "Nossa projeção é de que chegaremos a 2,5 milhões de alunos em 2020", estima Luciano Sathler, diretor da Abed. § 4 No Brasil, além de espaço para crescer, ainda há muita coisa para o Estado fazer. Segundo o Censo, 83,7% das matrículas a distância estão na rede privada e a grande maioria — 72,1% — é oferecida por universidades. Num esforço para não perder as rédeas e recuperar o atraso, o governo instituiu, em abril, uma Câmara Consultiva Temática de Educação a Distância. A proposta é juntar informações e produzir elementos que subsidiem a elaboração do novo marco regulatório da área. Em outra frente, o ministro Mercadante anunciou, em junho, a criação da primeira universidade federal de educação a distância. Em um primeiro momento, a instituição encamparia a Universidade Aberta do Brasil, criada em 2005, voltada para a formação a distância de professores da educação básica. Até agora, esse é o único investimento do governo federal nessa modalidade de ensino. A intenção é que cada curso de cada uma das universidades federais do País possa estar disponível para aulas não presenciais. A proposta de uma universidade federal ainda deve percorrer os trâmites no Congresso. § 5 Outro sinal de apoio aos cursos a distância foi dado também pelo ministro ao citar, em maio deste ano, um estudo para estender o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) também para as graduações não presenciais. O Fies tem sido uma alavanca valiosa no aumento das matrículas na graduação convencional, ao financiar o total das mensalidades com reembolsos que só se iniciam um ano e meio depois da conclusão do curso. A ideia ainda não avançou, mas é de grande interesse para os empresários da educação, pois beneficia diretamente as escolas privadas. § 6 O empenho pelo ensino a distância é visto por especialistas e pelo próprio MEC como o caminho mais curto para se cumprir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE). O País tem hoje 15% dos seus jovens entre 18 e 24 anos matriculados em graduação, índice muito inferior aos 33% estabelecidos pelo PNE para o período até 2020. § 7 Não há números sobre os cursos a distância lato sensu, aqueles não formais, como os MBAs e especializações. Da mesma forma, não há estimativas sobre os cursos livres, uma enorme gama de atividades de ensino em todas as áreas e níveis, entre elas educação profissional e requalificação dentro de empresas. "Para o lato sensu, a estimativa em 2012 era de 400 mil alunos, mas é a área de cursos livres que vive uma verdadeira explosão", diz Sathler, da Abed. "Vão de cursos preparatórios para concursos e reforço escolar até educação corporativa", completa. § 8 Só a FGV Online, da Fundação Getúlio Vargas, oferece 230 cursos a distância, entre programas de curta, média e longa duração e cursos gratuitos. Há cursos de atualização de 30 a 60 horas, de aperfeiçoamento de 120 a 188 horas, MBAs a partir de 410 horas, assim como cursos gratuitos que duram de 5 a 40 horas ou graduação tecnológica, que se estende por 1,6 mil horas. § 9 "A tendência da educação a distância no Brasil é de crescimento, mas temos ainda uma legislação engessada e discriminação no mercado", afirma Stavros Xanthopoylos, diretor da FGV Online. "Em países como Alemanha, Canadá e Espanha, muitas empresas dão preferência para quem tem formação a distância, porque essas pessoas trazem competências interessantes", informa. Por exemplo, "trabalham melhor em grupo, são mais flexíveis, mais disciplinados, apuram, leem e escrevem melhor. No Brasil, nada disso é levado em consideração", arremata. § 10 O professor Paulo Rech Wagner, coordenador de educação a distância da PUC de Porto Alegre, reforça esse diferencial. "O aluno que vai trabalhar a distância, além de facilidade com recursos tecnológicos e ambientes virtuais, tem de ser organizado, ter foco, ser autônomo", afirma. "São estudantes que têm um perfil mais maduro, que já trabalham e veem na educação a distância uma necessidade para se qualificar", afirma Wagner. A PUC do Rio Grande do Sul tem cerca de 2,5 mil alunos em cursos não presenciais e outros 26 mil no chamado semipresencial, que são os 20% da graduação que podem ser dados na modalidade a distância. § 11 De acordo com a Abed, o curso a distância mais procurado é Administração — como acontece nas graduações presenciais —, seguido por licenciatura, formação de professores em Pedagogia, Letras e outras disciplinas. § 12 Em menos de um mês, operações de fusão e aquisição entre grandes instituições universitárias no País envolveram mais de 2 bilhões de reais. No recheio desse bolo disputado estão o enorme mercado e as animadas perspectivas do negócio do ensino a distância. Esse processo se iniciou cinco anos atrás, mas se acirrou no atual semestre. § 13 Os números indicam que o bolo ainda pode crescer muito e que a tendência é de concentração. Hoje são 240 instituições autorizadas e credenciadas pelo MEC para a oferta de cursos formais e dezenas de outras que oferecem cursos livres, a grande maioria em pequena escala. "Há uma forte concentração no setor. Na graduação, cerca de 40% de todos os matriculados a distância estão em três instituições: Kroton, Anhanguera e Estácio de Sá ", contabiliza o diretor da Abed. § 14 Embora a real efetivação do ensino a distância tenha ocorrido em 2001 com uma portaria do MEC, os cursos não presenciais existem há décadas, numa época em que se utilizava o rádio e o correio. O Instituto Universal Brasileiro tem 72 anos e ainda oferece dezenas de cursos, de cabeleireiro a supletivo. A presença da internet em quase metade das casas do País, a busca por cursos de todos os tipos e a demanda reprimida por graduação fazem prever um crescimento continuado do ensino a distância. (BIANCARELLI, Aureliano. Cada vez mais longe da sala de aula. Carta Capital. Ano XIX, n. 769, 9 out. 2013. Disponível em: http://cliente.linearclipping.com.br/CNTE/detalhe_noticia.asp?cd_noticia=8112914. Acesso em: 28 abr. 2014. Adaptado.)

De acordo com o texto, no Brasil, a real efetivação do ensino a distância ocorreu:

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