Questões de Língua Portuguesa · Com. Org. (IFSP)

Língua PortuguesaGêneros textuaisCom. Org. (IFSP) 2016

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Questão de Língua Portuguesa

Texto IA-T1 COMO O MUNDO COMEÇOU. 1 Dona Benta era uma senhora de muita leitura; além de ter uma biblioteca de várias centenas de volumes, ainda recebia, dum livreiro da capital, as novidades mais interessantes do mundo. 2 Uma tarde o correio trouxe-lhe a História do mundo para crianças, de V.M.Hillyer, diretor da Calvert School, de Baltimore. 3 Dona Benta leu o livro com cara de quem estava gostando; depois folheou e releu vários volumes da sua biblioteca que tratavam de assuntos semelhantes e disse consigo: “Bela ideia! A história do mundo é um verdadeiro romance que pode muito bem ser contado às crianças. Meninos assim da idade do Pedrinho e Narizinho estou certa de que hão de gostar e aproveitar bastante”. 4 E, voltando para a criançada: 5 - Olhem, vamos ter novidades amanhã. Uma história nova que vou contar, muito comprida… 6 - De urso que vira príncipe? - quis saber a Emilia. 7 - Não. A história que vou contar é a história do mundo, ou universal. 8 Às sete horas em ponto, no dia seguinte, estavam todos reunidos na sala de jantar. Todos, menos três: Rabicó, que não queria aprender coisa nenhuma; o rinoceronte que era muito grande para caber lá dentro; e o Doutor Livingstone, que já estava outro (com esse sábio, tinha acontecido um fenômeno maravilhoso: começara a mudar de aspecto, a transformar-se em outra pessoa, até que um dia amanheceu de novo virado no velho Visconde de Sabugosa!). E foi diante do bandinho quase completo que Dona Benta começou. 9 - Há muito, muito tempo – disse ela – há milhões e milhões de anos, não existia gente nesta Terra e, portanto, não existiam casas, nem nenhuma das coisas que só existem onde há gente, como cidades, estradas de ferro, pontes, automóveis e tudo mais que se vê no mundo de hoje. 10 - Que é que havia então? – perguntaram todos. – Animais selvagens. Ursos e lobos, pássaros e borboletas, rãs e cobras, tartarugas e peixes. Mas milhões de anos antes, nem isso havia no mundo. Apenas havia plantas. 11 - E mais antes ainda não havia nem plantas, aposto! – gritou Pedrinho erguendo o dedo. 12 Isso mesmo – confirmou Dona Benta. Mais antes ainda, não havia no mundo nem gente, nem animais, nem plantas. Só havia rochas e águas. Pedra e água – só, só, só. O que não era água era pedra, e o que não era pedra era água. 13 E antes desse tempo, vovó? 14 - Antes, muito antes desse tempo, não havia nada, porque não havia mundo – o nosso mundo. Havia, entretanto, estrelas no espaço, isto é, enormes massas de fogo enormes bolas de metais derretidas, refervendo. O sol, este nosso sol de todos os dias, era uma das tais estrelas. 15 - Mas naquele tempo o sol não se apresentava tão sossegado como o vemos hoje. Estava ainda num período de tremenda fervura, com explosões de tal violência que por várias vezes enormes espirros da sua massa de fogo se despregavam, eram arremessadas a grandes distâncias e ficavam no espaço, girando sozinhos, como se fossem outros tantos astros novos. [...] (LOBATO, Monteiro. História do Mundo Para as Crianças: fragmento de como o nosso mundo começou. 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994).

“Vá desculpando a letra, e o mal alinhado, este seu velho amigo é um pobre diabo, cansado, que mal dá de si alguma cousa pouca, desalinhada e torta.” ASSIS, Machado de. In: MORAES, Marcos Antonio de Moraes. Epistolografia machadiana. Estudos avançados, 24. 2010. p. 417. Pela linguagem e o modo de interação presentes no trecho, o texto faz parte do gênero:

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