Língua PortuguesaModalização e marcas de subjetividadeUEG 2013
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Questão de Língua Portuguesa
O conceito de violência: problemas semânticos 1 Uma das maiores dificuldades no tratamento da violência, mais precisamente das ações ditas 2 violentas, é a imprecisão dos seus contornos semânticos. Várias são as razões disso. Uma, de caráter mais 3 psicológico, é que elas são assim denominadas, com frequência, muito mais pelo impacto emocional que 4 produzem no imaginário das pessoas do que por razões objetivas consistentes. Outra razão, de caráter 5 mais filosófico, é a dificuldade de encontrar um princípio racional que explique essas ações, particularmente 6 sob o impacto emocional dos seus efeitos. Outra, de caráter mais antropológico, é que a qualificação das 7 ações como violentas permite desqualificar seus autores, tornando-os a expressão máxima da 8 desumanidade, rebaixando-os, equivocadamente, ao nível da animalidade, mundo onde não há lugar para a 9 violência por não existir nele liberdade, intencionalidade, nem consciência, todas elas características da 10 condição humana dos homens. 11 Se toda palavra é por natureza polissêmica, suscetível de múltiplos sentidos, há algumas em 12 particular que adquirem um sentido tal que lhes confere um potencial evocativo capaz de provocar intensas 13 reações racionais ou emocionais nas pessoas. Este parece ser o caso da palavra “violência” e dos adjetivos 14 correspondentes, cujo poder evocativo faz com que a força do seu sentido seja maior que a do seu 15 significado. O sentido se alimenta da experiência coletiva da humanidade, extremamente rica em fatos 16 violentos, em que o imaginário de certos indivíduos encontra farto material para alimentar seus devaneios 17 destrutivos. Já o significado está delimitado pela própria história da língua registrada, em parte, nos 18 dicionários. 19 Os significados que o Dicionário da Língua Portuguesa (BUARQUE DE HOLANDA, 1975) atribui à 20 palavra "violência" não traduzem a densidade semântica que ela adquire no imaginário coletivo. O primeiro 21 deles define a violência como a qualidade de violento, formulação tautológica que confere ao termo 22 "violento" um estatuto ontológico indefinido, espécie de entidade mitológica que ajuda a alimentar o 23 imaginário coletivo e individual. Outros significados que explicitam essa qualidade são ímpeto, exercício da 24 força bruta, tumulto, irascibilidade e intensidade. 25 O sentido que perpassa todos esses significados, na sua heterogeneidade, é o de excesso, aspecto 26 quantitativo que tanto pode traduzir a representação de um certo grau de intensidade desnecessária da 27 ação ou dos meios utilizados para realizá-la – a dificuldade é a imprecisão e o caráter relativo do termo 28 "desnecessária" – quanto pode traduzir a violação dos limites estabelecidos pelas leis, os valores ou as 29 tradições sociais. O sentido de excesso tanto é atribuído a certos eventos naturais (cataclismos, tornados, 30 tempestades, terremotos, etc.), quanto a certas ações humanas (massacres, genocídios, uso de armas de 31 destruição em massa, devastação das florestas, etc.). 32 Tratando-se de fenômenos naturais, falar de excesso só pode ser em sentido metafórico, como 33 projeção do impacto que eles podem produzir em nós. Tratando-se das ações humanas, onde esse sentido 34 de excesso se aplica, mais do que significar intensidade física, até certo ponto irrelevante do ponto de vista 35 conceitual, ele significa violação dos limites estabelecidos pela sociedade, revelando no seu autor uma 36 espécie de "vontade de poder" irrefreável, que o coloca acima de qualquer limite ou lei. 37 Há filósofos e antropólogos que veem a violência como uma característica própria do mundo sagrado 38 no qual, em contraposição ao mundo profano, onde reina a ordem e a lei, não existe, por definição, nem lei 39 nem ordem. Ao fazer da própria "vontade de poder" o limite da violência, o homem coloca-se fora da lei e da 40 ordem, num lugar que não é seu e com um poder sagrado que ele não pode ter. Infelizmente, não se trata 41 de um mero "delírio da mente", mas de fatos com consequências sociais reais! PINO, Angel. Violência, educação e sociedade: um olhar sobre o Brasil contemporâneo. Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 765-766, out. 2007.
Na frase “Este parece ser o caso da palavra „violência‟ e dos adjetivos correspondentes” (linhas 13-14), a expressão sublinhada desempenha a função argumentativa de
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

