Língua PortuguesaInterpretação de textosInstituto Exittus 2023
Pref PR do Colégio
Questão de Língua Portuguesa
O futuro do trabalho no mundo globalizado Fui demitido. Perdi o emprego em que estava trabalhando há seis anos. Especialista numa área em que poucos profissionais possuem conhecimento e preparo para atuar, definitivamente não esperava que isso viesse a acontecer. Nem meus colegas de trabalho entenderam os motivos que levaram a instituição a tomar essa providência. Por incrível que pareça, fiquei menos abalado do que todos os demais. Não que eu estivesse esperando, pois já estávamos fazendo planos com o departamento em que atuava para novas aulas e cursos no ano que iria começar... Mas, como sabemos o quanto o mundo é competitivo, e como a globalização tem redirecionado as energias e exigido custos mínimos e máxima produtividade, penso até que isso demorou a acontecer. Já havia ocorrido idêntica situação com outros profissionais de qualidade que, engajados em projetos da instituição, da noite para o dia foram simplesmente “desligados” de suas funções, demitidos sumariamente... Não que isso seja uma particularidade dessa instituição onde estive trabalhando ao longo dos últimos anos. Tampouco é possível encarar os acontecimentos como derivados de alguma perseguição ou diferença pessoal. Tudo ocorre da forma mais impessoal possível. A despeito de todo o trabalho feito, do reconhecimento do público-alvo, o que é avaliado não é sua capacidade profissional, e sim o quanto você custa para a empresa. Num mercado altamente competitivo, no qual os custos com publicidade são cada vez mais exorbitantes, em que é necessário dispor de infraestrutura e recursos materiais de ponta, a mão de obra qualificada e de alto custo deixou de ser um diferencial no qual seja prioritário investir. O fim do emprego, como era concebido nos últimos 50 ou 60 anos, é uma realidade. Poucos serão os que ficarão por mais de 5 ou 8 anos numa mesma empresa. Carreiras duradouras, em que o sujeito trabalhava ao longo de toda sua existência num mesmo emprego, serão raríssimas. A rotatividade profissional do trabalhador, até recentemente vista como um sinal de imaturidade ou falta de seriedade, passou a ser encarada como acúmulo de experiências e de diversidade de habilidades e possibilidades funcionais. De acordo com o consultor Ricardo Neves, em seu livro O Novo Mundo Digital, adentramos um mundo em que o emprego, aquele vínculo entre empresa e empregado, que dá ao funcionário uma forte sensação de estabilidade associada a fatores, como os benefícios trabalhistas e, principalmente, o salário mensal, está dando lugar ao conceito de trabalho. E o que seria então trabalho? Seria, no caso, a vinculação a projetos e planos, ações e realizações de prazo variável (curto, médio ou longo), para os quais os profissionais seriam contratados como “terceiros”, enquanto durassem essas empreitadas. E as garantias trabalhistas? São suprimidas, pois representam custos altos que as empresas precisam cortar. E os salários? São substituídos por honorários pagos aos profissionais que atuam como empresas, ou seja, que são identificados como pessoas jurídicas. O que se estabelece, a partir de agora, passa a ser o vínculo profissional free-lance, bastante conhecido dos profissionais que atuam na imprensa. Também é uma prerrogativa dos novos tempos que a tecnologia esteja cada vez mais incorporada ao cotidiano e que, em alguns casos, como já ocorreu em vários segmentos profissionais, máquinas, como computadores, robôs e sistemas sofisticados substituam trabalhadores. Outra situação bastante comum, em vigor nos Estados Unidos e em outros países, é a transferência dos setores de produção mais pesada para onde a mão de obra e os custos governamentais sejam menores. Exemplos de onde isso já está efetivado são a Índia e a China, que absorveram grande parte dos investimentos deslocados do primeiro mundo em busca de custos mais baixos. É por isso que, mesmo tendo perdido o emprego, não acreditei, em momento algum, que fosse vítima de alguma perseguição da instituição. Entendi que os custos que significava para a empresa eram um pouco mais altos do que a média local e que, em virtude disso, fui mais uma vítima da competição globalizada... O que fazer? Se preparar para o futuro – que não será tenebroso e sim diferente – estudando, se preparando, buscando novos espaços, virando a página e dando a volta por cima...
Sobre o texto, considere as seguintes assertivas: I. Entende-se do texto que os países “Índia” e “China” têm direcionado novas perspectivas de empregabilidade, oportunizando que os trabalhadores possam ter acúmulo de experiências, o que possibilita diversas possibilidades de habilidades funcionais. Página 4 II. Depreende-se do texto que o narrador renuncia a sua demissão, mesmo sabendo que se trata da necessidade de reduzir os custos das empresas. III. Em consonância com o texto, entende-se que o contexto socioeconômico, que é proveniente de um processo acelerado da globalização, favoreceu que os altos índices de empregabilidade fossem reduzidos. Assinale:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
