Língua PortuguesaMetáfora e comparaçãoAvança SP 2025
Pref SM Arcanjo
Questão de Língua Portuguesa
Há um silêncio estranho que atravessa os corredores da universidade. Não é o silêncio fértil da pesquisa em gestação, nem a pausa necessária de uma biblioteca que guarda segredos. É um silêncio saturado de ruídos artificiais: o clique incessante de formulários digitais, o acúmulo de PDFs em repositórios, a sucessão interminável de congressos que repetem fórmulas gastas. Publica-se como nunca; pensa-se como nunca tão pouco. O que antes era obra transformou-se em produto; o que antes era criação tornou-se estatística. Sob o neoliberalismo, a universidade deixou de ser refúgio dos “excêntricos” e transformou-se em fábrica de autopromoção. O pesquisador, em vez de intelectual público, converteu-se em gestor de si mesmo. Administra sua vida como uma empresa, contabiliza citações como moedas, transforma relatórios em capital simbólico. Não há mais tempo para o fôlego longo de uma obra; o tempo agora é o do ciclo quadrienal, do edital, da métrica. (...) Hoje, o pesquisador escreve sem se reconhecer no que publica; fala sem ser ouvido; produz sem dialogar. É o trabalho alienado em sua forma acadêmica: a teoria como mercadoria, o artigo como moeda, o currículo como mercadoria-espelho. E, no entanto, nem sempre foi assim. No passado, havia frestas que poderiam ser mais exploradas do que atualmente. Florestan Fernandes dedicava anos à elaboração de livros que não eram apenas reflexões sociológicas, mas instrumentos de intervenção histórica. Miguel Nicolelis, com seus projetos de grande fôlego, recusa a lógica imediatista da produtividade compulsiva, apostando na ciência como um agente de transformação social. Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, com suas pesquisas de longa duração e campanhas de saúde pública, lembravam que a ciência é antes de tudo compromisso com a vida social, e não corrida por estatísticas. Cada um deles habita, hoje, o lugar da quase impossibilidade: seriam punidos pelo tempo que ousaram dedicar à obra, seriam penalizados por publicar “pouco”, seriam corrigidos por não obedecerem ao formato imposto pelas métricas. (...) TELES, Gabriel. O deserto da imaginação e as ruínas da universidade neoliberal. Le Monde Diplomatique. 27 ago. 2025. Disponível em <https://diplomatique.org.br/o-deserto-da-imaginacao-e-as-ruinas-dauniversidade-neoliberal/>.
“Há um silêncio estranho que atravessa os corredores da universidade.” Assinale a alternativa que apresenta a figura de linguagem que se encontra no trecho acima, seguida de sua correta explicação.
Mais questões de Metáfora e comparação
- Vunesp 2026Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado foi empregado em sentido figurado.
- FUNDESTE 2026No trecho "O vermelho representa o amor entre um casal, mas o amarelo representa o carinho, a amizade e os laços que nos unem", a organização semântica articula recursos expressiv…
- Avança SP 2026A figura de linguagem presente na expressão destacada acima é o(a):
- Vunesp 2026Na primeira estrofe, o eu lírico compara
- Fundatec 2026Quais são as duas figuras de linguagem presentes no trecho a seguir, do conto “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo? “As labaredas, sob a água solitária que fervia na panela cheia…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


