Questões de Língua Portuguesa · Consulplan

Língua PortuguesaClareza, concisão e ambiguidadeConsulplan 2025

CM S. M. de Jetibá

Questão de Língua Portuguesa

Caso os dados estejam incorretos, o material incompleto, ou detenha qualquer imperfeição, comunique ao Fiscal de Aplicação. MANHÃ CONCURSO PÚBLICO | Edital nº 1/2026 Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá/ES Auditor Público Interno Tipo 1 – Branca para a Folha de Texto Definitivo. serão substituídas. • Após entregar seu material, você não poderá utilizar o sanitário e/ou o bebedouro. • Ao deixar a sala de aplicação, não faça uso do seu celular antes que tenha saído completamente da unidade escolar.

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

A dignidade do cotidiano Vivemos sob o império de uma estranha pedagogia da postergação. Aprendemos, desde cedo, a deslocar o sentido da vida para adiante: para a próxima conquista, o próximo cargo, a próxima viagem, o próximo reconhecimento, a próxima etapa. Como se o valor da existência estivesse sempre alojado em um futuro idealizado, e jamais plenamente disponível no presente vivido. Esse movimento produziu uma das marcas silenciosas de nosso tempo: a banalização do cotidiano. O cotidiano passou a ser percebido como o reino do repetitivo, do menor, do sem importância. O espaço das rotinas, dos pequenos gestos, dos vínculos ordinários e dos rituais quase invisíveis foi sendo simbolicamente empobrecido. Como se a vida “verdadeira” estivesse em outro lugar, no extraordinário, no evento, no ápice. Mas talvez essa seja uma das grandes ilusões da modernidade. Foi o psiquiatra e filósofo Viktor Frankl (1905-1997) quem falou, com rara precisão, em uma “metafísica do cotidiano”, sugerindo que o aparentemente banal não é desprovido de profundidade. Ao contrário: é no cotidiano que se dá, permanentemente, o encontro entre o finito e o infinito. A formulação é poderosa. Essa ideia adquire espessura singular quando lembramos que Frankl a formulou como sobrevivente do Holocausto, após ter sido deportado para campos de concentração ligados a Auschwitz e Dachau, tendo perdido seus pais, seu irmão e sua esposa. Quando fala da dignidade do cotidiano, Frankl não fala desde a abstração, mas desde a experiência extrema da destruição e da sobrevivência. Ela nos convida a reconhecer que o infinito não é apenas um tema da transcendência abstrata, nem uma promessa deslocada para além do mundo vivido. Ele se inscreve, discretamente, na temporalidade concreta das práticas ordinárias: no cuidado, na responsabilidade, na palavra empenhada, na memória partilhada, no trabalho silencioso, na atenção dedicada ao outro. O extraordinário, sob essa perspectiva, não se opõe ao ordinário. Ele pode estar escondido nele. Mas talvez seja preciso acrescentar, especialmente em tempos como os nossos, que a presentificação do cotidiano, isto é, a capacidade de estar plenamente presente na espessura do vivido, é também um ensinamento. Talvez o sentido da vida não esteja em escapar do ordinário, mas em dignificá-lo. Dignificar o cotidiano é reconhecer espessura no aparentemente simples. É compreender que responder a uma mensagem com cuidado, preparar uma refeição, escutar alguém, atravessar honestamente um dia de trabalho, ensinar uma aula, cultivar uma memória, cuidar de um idoso, cuidar de uma criança, cultivar um jardim, proteger um animal, manter um compromisso, arrumar a casa, nada disso é menor. Tudo isso pode ser expressão de sentido. Num tempo marcado por aceleração e por narrativas que sequestram o presente em nome de futuros sempre adiados, recuperar a dignidade do cotidiano é também um gesto de resistência. Porque talvez a vida não esteja esperando para começar. Ela está acontecendo agora. E talvez o lugar mais profundo em que o finito encontra o infinito não esteja nos grandes acontecimentos, mas precisamente nesse território tantas vezes negligenciado, o cotidiano. (Paulo Nassar, Jornal da USP, 06/05/2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1005569. Fragmento.)

A partir dos trechos destacados a seguir, assinale a alternativa em que a reescrita proposta não pode ser indicada como ambígua ou prejudicada quanto ao sentido, mas preserva a coesão e a coerência originais.

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