Língua PortuguesaCorrelação de tempos e modos verbaisFundatec 2015
CM Parobé
Questão de Língua Portuguesa
04 amor. Já era. 05 Se isso lhe parece antigo, tem razão. As coisas não são mais assim. A modalidade de amor 06 que praticamos é mais amena. Está ligada ao nosso futuro, à nossa carreira, certa ideia de 07 conforto e sucesso. É contingente. Virou uma forma de realização pessoal e social, não sentimento 08 pelo qual pagamos um preço. Pelo amor não sacrificamos nada, só recebemos. 09 Desculpem se pareço triste, mas percebo ao meu redor – e dentro de mim – uma sensação 10 pesada de orfandade, ligada ___ transitoriedade das coisas. Fui ver na internet e descobri que a 11 palavra "órfão" vem do grego orphanos, que significa, literalmente, "privado" ou "desprovido". 12 Não nos sentimos privados de proteção e carinho? Não estamos desprovidos da sensação de 13 aconchego que torna a vida aprazível? Tudo a ver. 14 Sinto, na verdade, que vivemos orfandades simultâneas e múltiplas. A mesma tristeza que a 15 morte dos pais provoca – a orfandade original – espalhou-se pela vida. Quando os amores terminam, 16 quando os empregos acabam, quando as amizades estremecem, quando a família se afasta, nos 17 sentimos da mesma forma: expostos e desprotegidos, solitários, ___ mercê do mundo... feito uma 18 criança. Essas são as nossas orfandades. 19 Alguém dirá que sempre foi assim. Não creio. Havia no passado camadas de proteção entre 20 o mundo e cada um de nós. Éramos parte de algo maior que nos abrigava. Hoje estamos sozinhos, 21 ou quase. Há nosso amor, mas ele pode faltar. Existe a família, mas ela se resume a pais e filhos 22 – um núcleo pequeno e frágil que pode a qualquer instante implodir. No trabalho, somos lutadores 23 solitários. Em que parte do mundo nos juntamos a nossos iguais e nos sentimos parte de um 24 todo? Nenhuma. Onde fica o oásis de paz e tranquilidade? Não há. 25 As relações afetivas já foram esse oásis, não são mais. Trocamos segurança por verdade 26 e aventura. Somos deixados, trocados, esquecidos, superados. Assim como deixamos, trocamos, 27 esquecemos, superamos. Muitas vezes. Tantas vezes. Tudo é intenso e provisório. Nada está 28 assegurado. Não podemos realmente contar com isso. O que é sólido se desmancha no ar (para 29 usar uma frase famosa) e avançamos – de cabeça erguida, em meio às nossas múltiplas 30 orfandades, colhendo o riso e o gozo que se oferecem, retribuindo com a nossa alegria (que não 31 morreu, hiberna apenas). 32 Estamos à espera de tempos melhores. Depois do inverno, o verão. Depois da noite, o sol. 33 Ao vazio do nosso luto – qualquer que seja a sua causa – sucederá a plenitude. Reencontraremos 34 o amor, a direção, a unidade refeita com o mundo e com nós mesmos. Um amor virá depois do 35 outro, e com ele a vida nova. Enquanto isso, a melancolia. O intervalo terrível. Enquanto isso, o 36 frio. 37 Há que ter paciência, portanto. Com os nossos sentimentos. Com a vida que escolhemos 38 viver. Há que sentir-se órfão antes de recomeçar e renascer. (Ivan Martins – Revista Época, 24 de junho de 2015 – disponível em http://www.epoca.globo.com - adaptação)
Caso, na oração “Virou uma forma de realização pessoal e social” (l. 07), alterássemos o tempo verbal para o pretérito imperfeito do indicativo, a forma verbal deveria ser:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

