Questões de Língua Portuguesa · CCON UFSM

Língua PortuguesaClassificação morfológica de palavrasCCON UFSM 2018

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Questão de Língua Portuguesa

1 fotografia inventada dentro de uma época ajudam a se estruturar, e Martins nos apresenta um Apositivista ‒ primeiras décadas do século belo ensaio sobre as fotografias dos atos de fé no XIX ‒ criou e referendou sua posição como espelho do real, mimese de um mundo sem nenhu- 5 ma interferência de um olho pensante, a falsa ideia 45 de um registro documental isento: prova de um discurso oral ou escrito. Contra essa crença, vários pensadores da fotografia tentaram se insurgir e, dentro dessas linhas de pensamento, também a Brasil, trabalho realizado por cinco fotógrafos com olhares diferentes sobre essas questões. Ao tentar analisar essas imagens, Martins nos dirige para a questão da imaginação fotográfica, dos vários modos de ver, que pertencem à imaginação do fotógrafo, mas também à imaginação de quem decifra imagens. Essa discussão no livro leva 10 sociologia. Ao tecer textos trazendo a fotografia 50 a um novo capítulo, onde o sociólogo analisa o como protagonista e não apenas como suporte de outras formas de expressão, o sociólogo José de Souza Martins demonstra, em seu mais recente livro, Sociologia da Fotografia e da Imagem, que "o trabalho do fotógrafo Sebastião Salgado, mais especificamente seu ensaio Êxodos. E, aqui, surge o embate entre documentação e estética, como se uma fosse excludente da outra, ideia com que 15 icônico é essencialmente expressão de uma neces- 55 Martins não concorda. Claro que existe sempre uma sidade do imaginário, uma linguagem e um discurso visual". Na obra, Martins rebate a ideia de que a fotografia "congela" momentos, deixando bem claro busca, ou melhor, uma narrativa estética ao se criar um discurso, seja ele qual for. É de destacarmos, por fim, o primoroso ensaio O Impressionismo na Fotografia e a 20 que é o contrário: cada imagem narra ou cria uma 60 Sociologia da Imagem, em que podemos ver defen- história. O que o autor defende é o reconhecimento da imagem como documento do imaginário social e não como registro factual de uma realidade social. Para quem quer estudar ou pensar fotogra- dida com mais vigor a tese de Martins da necessidade de aprender a ver. E para não ficar somente na teoria, o autor nos apresenta seu próprio ensaio fotográfico sobre o Carandiru durante o processo de 25 fia ‒ algo fundamental na sociedade contemporâ- 65 desativação do prédio. Um estudioso que tem as nea ‒, os textos de Martins são fundamentais. Não entregam receitas de leitura ou compreensão da imagem, mas nos instigam a pensar em seu papel como representante da imaginação coletiva de duas visões da análise imagética: a teoria e o fazer. "Decifrar o que se esconde por trás do visível ou do fotografável continua sendo um desafio para os cientistas que se documentam com expressões 30 determinado momento social. 70 visuais da realidade social." Na tessitura de seu Sociologia da Fotografia e da Imagem começa com a discussão da fotografia e vida cotidiana. A fotografia é entendida como uma interpretação de um real que não se deixa simplesmente pensamento - formado, aliás, com muitos estudos sobre história da fotografia e fotógrafos -, Martins nos chama atenção para a necessidade de uma sociologia do conhecimento visual para aprender a 35 congelar ou aprisionar, mas que a cada olhada nos 75 ler e interpretar imagens, em especial a fotográfica: permite novas significações, novas possibilidades para entender representações da sociedade, num certo período sócio-histórico. No livro, para além do cotidiano, existe a "Sociólogos e antropólogos precisam muito mais do que uma foto para compreender o que uma foto contém." E assim é, pois desde muito alguém já nos disse que a fotografia é um tipo especial de conheci- 40 temática dos ritos da sociedade, formas que a 80 mento. Fonte: PERSICHETTI, Simonetta. Documento do imaginário social. Jornal O Estado de S. Paulo. Edição de 15/11/08. (Adaptado) Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes-documento-do-imaginario-social,278319. Acesso em 04/07/2018.

Para responder à questão, considere as afirmativas a seguir. I → No segmento um belo ensaio (ℓ.41-42), o adjetivo expressa uma avaliação pessoal, assim como ocorre na sequência o primoroso ensaio (ℓ.58-59). II → No segmento Um estudioso que tem as duas visões da análise imagética: a teoria e o fazer (ℓ.65- 66), a colocação de artigo diante de estudioso e de fazer evidencia o uso no texto dessas duas palavras como substantivos. III → No segmento formado, aliás, com muitos estudos sobre história da fotografia e fotógrafos ( .71-ℓ 72), a palavra aliás minimiza o argumento de que a base da formação do pensamento de Martins sobre fotografia é seu intenso estudo sobre o tema. Está(ão) correta(s)

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