Língua PortuguesaAspas, travessão e parêntesesUNIRV 2022
Pref Rio Verde
Questão de Língua Portuguesa
Texto 6 Assim eu a chamava, “a minha árvore”, linda, alta, forte, imponente. Estava lá desde o dia em que mudamos para aquele apartamento, bem em frente à janela do meu quarto, no sexto andar. Durante o dia eu a olhava banhada pelo brilho do sol. E, também, à tarde, quando chegava a hora de ele se pôr, deixando o céu todo tingido de cor-de-rosa alaranjado, como se já estivesse com saudades. Nas noites de lua cheia e céu estrelado, eu gostava de ficar horas sentada apreciando o contorno dos seus mil galhos em forma de uma mão gigante e aberta. Parecia até que ela estava ali para amparar e proteger “minha” janela e quem mais estivesse lá dentro de casa. “Minha” árvore — que, na verdade, nunca foi minha, porque as árvores não têm dono — ficava no terreno ao lado do meu prédio. Um lugar abandonado, cheio de mato, plantas e outras árvores menores. Era a “minha” minifloresta, que deixava a conturbada São Paulo menos cinza, menos feia e morta. Mas o terreno tinha dono e, um dia, soube eu, foi vendido. Iam construir uma mansão. E a minha árvore, o que seria dela? Será que alguém teria coragem de tirá-la dali? Se fôssemos índios, certamente, não. Entretanto, há muito tempo deixamos de ser. Hoje, somos homens civilizados, que matam, derrubam e destroem. Pensei em falar com o novo proprietário e implorar para que poupasse aquela árvore. Dias depois fui viajar. Fiquei meses fora, não vi quando cortaram a árvore nem quando foi arrastada dali. Saudades? Muitas! Mas sinto que, de certa forma, ela ainda está aqui me protegendo, forte e viva dentro de mim. E, quando o sol brilha, ou tinge o céu de cor-de-rosa alaranjado, eu saio andando pelas ruas do “meu” bairro apreciando as árvores, esses seres tão calados que me dizem tanto. E agradeço: obrigada, “minha árvore”, por ter me ensinado a amar e compreender. POLIZZI, Valéria P. Papo de garota. São Paulo: Símbolo e Nome da rosa. 2001.
Ao usar as aspas nas expressões “minha” árvore e “minha” minifloresta, o narrador pretendia dizer que:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
