Questões de Língua Portuguesa · CONSULTEC (AIETEC)

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Questão de Língua Portuguesa

O sangue africano fervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão, e em vão se revoltava, porque se erguia diante dele, como barreira, o poder do forte contra o fraco. Ele, entretanto, resignava-se; e, se uma lágrima a desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo da sua miséria. Assim é que o triste escravo arrasta a vida de desgostos e de martírios, sem esperança e sem gozos. Senhor Deus! Quando calará no peito do homem a tua sublime máxima, “ama a teu próximo como a ti mesmo”, e deixará ele de oprimir, com tão repreensível injustiça, aquele que é seu semelhante e seu irmão? E o mísero sofria porque era escravo; mas a escravidão não lhe embrutecera a alma. Os sentimentos generosos que Deus lhe implantara no coração permaneciam intactos e puros. Era infeliz, mas era virtuoso; e, por isso, seu coração enterneceu-se diante da dolorosa cena que se lhe oferecia à vista. Página 5 Reunindo todas as suas forças, o jovem escravizado retirou de sobre o desconhecido o cavalo morto e correu à fonte. Encheu o cântaro e voltou com extrema rapidez para junto do ferido, procurando reanimá-lo. Banhou-lhe a fronte com água fresca e, com piedosa bondade, colocou-lhe a cabeça sobre os joelhos. Só Deus testemunhava aquela cena tocante, tão cheia de caridade e desvelo. REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. São Luís: Typographia do Progresso, 1859. Fragmento do Capítulo 1. Adaptado.

Embora publicada durante o Romantismo brasileiro, Úrsula apresenta características que ampliam os limites tradicionalmente associados a esse movimento literário. No fragmento apresentado, essa singularidade manifesta-se principalmente pela

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.