Língua PortuguesaPonto e vírgula e dois-pontosIbest 2025
CRM DF
Questão de Língua Portuguesa
1 Para a medicina, responder à pergunta do paciente “O que vai me acontecer agora?” é sempre um desafio. Um desafio que exige o desenvolvimento 4 de habilidades especiais, tanto do ponto de vista científico como do ético e psicológico. E é um desafio que surgiu cedo na história da medicina. Podemos dizer que a arte do prognóstico antecipou mesmo a do 7 diagnóstico. Disso a medicina grega sempre foi um exemplo. Para os médicos hipocráticos, o diagnóstico 10 era feito em termos de reais ou supostos distúrbios humorais (excesso de bile negra, pletora de sangue etc.). Não havia uma base anatomopatológica nem 13 exames complementares. Havia o veredito médico, que os pacientes provavelmente aceitavam com certa resignação. Em relação ao prognóstico, porém, a 16 exigência era grande, principalmente se o paciente era alguém importante: um rei, um nobre, um rico proprietário. Nesses casos havia interesses em jogo e 19 muitas pessoas queriam saber do médico qual seria o desfecho do caso — e, sendo este fatal, quando o óbito aconteceria. Pode-se imaginar que muitos doutores 22 devem ter suado frio nessas condições. Com o tempo, o prognóstico foi-se tornando um exercício científico. A economia aprendeu a estudar 25 tendências, a estabelecer fórmulas e equações; e a meteorologia passou a contar com o apoio dos satélites e de suas fotos. Da mesma forma, a medicina passou a 28 ter estudos de natureza estatística e epidemiológica. Atualmente, quando falamos em prognóstico, falamos nos possíveis desfechos de uma doença e na 31 frequência com que tais desfechos ocorrerão. E isto significa usar números, porcentagens: “O senhor tem 80% de chances de ficar curado”. Em uma profissão que 34 inevitavelmente trabalha com um grau de incerteza, isto é um grande avanço. Mas, muitas vezes, não satisfaz as necessidades emocionais do paciente. Ele 37 gostaria de saber se está nos 80% que ficarão curados ou nos outros 20%. E é aí que aquele antigo lado da medicina, o lado da compaixão, faz-se necessário. Tanto 40 quanto quer diagnóstico e prognóstico precisos, o paciente quer apoio. A certeza desse apoio é o maior antídoto contra as incertezas do prognóstico. Números 43 são importantes, mas o afeto também o é. Moacyr Scliar. A difícil arte do prognóstico. In: Revista Ser Médico, ed. 50, jan./fev./mar. 2010 (com adaptações).
Os dois-pontos empregados logo após a palavra “importante” (linha 17) introduzem uma
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


