Língua PortuguesaSinônimos e antônimosPROAD UFOP 2016
UFOP
Questão de Língua Portuguesa
Texto II O preconceito linguístico deveria ser crime Basta ser homem, estar em sociedade e estar rodeado de pessoas falantes que a língua – este sistema de comunicação inigualável – emerge. Ela se instaura e toma conta de todos nós, de nossos pensamentos, de nossos desejos e de nossas ações. Falar faz parte do nosso cotidiano, de nossa vida. A troca por meio das formas linguísticas é a nossa dádiva maior, nossa característica básica. É por meio de uma língua que o ser humano se individualiza, em um movimento contínuo de busca de identidade e de distinção. É isso, enfim, que nos torna humanos e nos diferencia de todos os outros animais. Não existe homem sem língua. Mesmo as pessoas com deficiências diversas adotam um sistema de comunicação. Quem é surdo, por exemplo, usa a linguagem de sinais. Sendo assim, não existe razão para que tenhamos preconceito com relação a qualquer variedade linguística diferente da nossa. Preconceito linguístico é o julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria fala. O problema maior é que as variedades mais sujeitas a esse tipo de preconceito são, normalmente, as com características associadas a grupos de menos prestígio na escala social ou a comunidades da área rural ou do interior. Historicamente, isso ocorre pelo sentimento e pelo comportamento de superioridade dos grupos vistos como mais privilegiados, econômica e socialmente. Então, há críticas negativas em relação, por exemplo, à falta de concordância verbal ou nominal (As coisa tá muito cara); ao "r" no lugar do "l" (Framengo); à presença do gerúndio no lugar do infinitivo (Eu vô tá verificano); ao "r" chamado de caipira, característico da fala de amplas áreas mineiras, paulistas, goianas, mato-grossenses e paranaenses – em franca expansão, embora sua extinção tenha sido prevista por linguistas. Depreciando-se a língua, deprecia-se o indivíduo, sua identidade, sua forma de ver o mundo. O preconceito linguístico – o mais sutil de todos eles – atinge um dos mais nobres legados do homem, que é o domínio de uma língua. Exercer isso é retirar o direito de fala de milhares de pessoas que se exprimem em formas sem prestígio social. Não quero dizer com isso que não temos o direito de gostar mais, ou menos, do falar de uma região ou de outra, do falar de um grupo social ou de outro. O que afirmo e até enfatizo é que ninguém tem o direito de humilhar o outro pela forma de falar. Ninguém tem o direito de exercer assédio linguístico. Ninguém tem o direito de causar constrangimento ao seu semelhante pela forma de falar. A Constituição brasileira estabelece que "ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante''. Sendo assim, interpreto eu que qualquer pessoa que for vítima de preconceito linguístico pode buscar a lei maior da nação para se defender. Até porque, sob essa ótica, o preconceito linguístico se configura como um tratamento desumano e degradante – uma tortura moral. Se necessário for, poderíamos até propor uma lei específica contra esse tipo de preconceito, apenas para ficar mais claro que qualquer pessoa tem o direito de buscar a justiça quando for vítima de qualquer iniciativa contra o seu modo de se expressar. Sei que muitos devem achar que isso é bobagem, que todos devem deixar de falar errado. Mas todo mundo tem direito de se expressar, sem constrangimento, na forma em que é senhor, em que tem fluência, em que é capaz de expressar seus sentimentos, de persuadir, de manifestar seus conhecimentos. Enfim, de falar a sua língua ou a sua variante dela. Marta Scherre, linguista e pesquisadora do CNPq (http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI110515-17774,00- O+PRECONCEITO+LINGUISTICO+DEVERIA+SER+CRIME.html Acesso em 06/01/2016)
02.“‘Você tem estado escrevendo bem’ ou desconhece regras simples, escorregando no gerúndio como na frase acima?” O trecho acima pode ser reescrito, de acordo com o nível de linguagem proposto no texto como “ideal”, da seguinte forma: A)Você tem escrevido bem ou desconhece regras simples e está escorregando no gerúndio como na frase acima? B)Você tem escrito bem ou desconhece regras simples e tem escorregado no gerúndio como na frase acima? C)Você tem escrivido bem ou está desconhecendo regras simples, escorregando no gerúndio como na frase acima? D)Você escreve bem ou tem desconhecido regras simples, estando escorregando no gerúndio como na frase acima? 02 03. “Frases ainda são elaboradas recorrendo a expressões como ‘menas coisas’ e ‘para mim fazer’, que mesmo erradas passaram a ser cotidianas e saltam aos ouvidos.” Assinale a alternativa que não receberia essa crítica emitida pelo autor do texto. A)Comprei duzentas gramas de presunto. B)Não pise na grama. C)É meio-dia e meia. D)É proibido a entrada. 04. “Segundo Marcelo, pontos capitais de gramática, como concordância, regência, crase, pontuação e a nova ortografia, são as principais falhas e por isso mesmo o foco do estudo.” A expressão grifada equivale no texto a: A)pontos de capítulos. B)pontos importantes. C)pontos simples. D)pontos fatais. 05. “O resultado é um português fraco. ‘Um erro no e-mail que se troca com um cliente compromete a imagem desse profissional e principalmente da empresa. A comunicação, nesse caso, é um valor precioso agregado ao currículo’, defende.” A palavra grifada no texto tem o mesmo valor significativo em: A)Minha cunhada é uma agregada de nossa família, pois casou-se com meu irmão. B)O valor agregado mede o valor que é gerado pelo sistema produtivo de um determinado agente econômico. C)Os ovos foram agregados à receita do bolo. D)O agregado da fazenda não trabalhou hoje. 06. Pelo texto, “um português fraco” só não poderia ser verificado na seguinte frase: A)Queria conversar com meu chefe, mais ele não quis papo. B)Ir à academia logo cedo me deixa meia cansada o dia todo. C)Na troca, o preço do produto saíram elas por elas. D)Estou quite com o serviço militar. 03 07. ‘“Quando avalio um candidato, busco diferenças que me farão apostar naquele novo profissional. Nessa hora, português passa a ser o básico que o candidato deve ter’, defende”. A afirmativa contida nesse trecho reforça a ideia contida no texto de que, em uma entrevista de emprego, A)a norma culta da língua a ser aferida é mínima. B)é imprescindível conhecer noções básicas da norma culta da língua. C)as normas gramaticais são minimamente verificadas. D)é irrelevante o desempenho linguístico de habilidades comunicativas.
As frases a seguir foram retiradas do texto II. Leia-as com atenção. I. “Depreciando-se a língua, deprecia-se o indivíduo, sua identidade, sua forma de ver o mundo.” II. “Ninguém tem o direito de causar constrangimento ao seu semelhante pela forma de falar.” III.“O preconceito linguístico – o mais sutil de todos eles – atinge um dos mais nobres legados do homem, que é o domínio de uma língua.” As palavras grifadas nos trechos acima podem ser substituídas, respectivamente, por:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.




