Língua PortuguesaMetáfora e comparaçãoLegalle 2025
SENAR-RS
Questão de Língua Portuguesa
"Eu poderia viver de entradas, por mim dispensaria os pratos principais" Tudo começou com uma troca de mensagens em um grupo de amigas no WhatsApp. Uma delas estava hospedando alguém de fora e queria levá-lo a um restaurante, mas como quase não saía, pediu uma indicação: levo onde? "Churrasco, claro". Em segundos, foram sugeridas três opções de parrilla. Até que alguém recomendou um restaurante novo, "dizem que é sublime", mas logo outra apresentou um senão: "já fui, tem entradas fabulosas, mas o menu de pratos principais não é lá essas coisas". Foi quando entrei na conversa: "Eu poderia viver de entradas, por mim dispensaria os pratos principais". Nem tinha terminado de digitar a frase e já havia percebido que era a metáfora da minha vida. Dali em diante, de restaurante passamos para o papo de botequim. Era meio da tarde, uma delas estava dando expediente em seu consultório, outra estava de férias em João Pessoa e várias, como eu, estavam diante da tela do computador, garantindo o salário no fim do mês, mas o mundo parou e cada uma encurvou-se sobre o seu celular a fim de palpitar sobre o assunto. É por isso que o Brasil não vai pra frente. Pois bem, as entradas. Em churrascos, avanço no pão com alho e até flerto com o churrasqueiro se ele acertar o ponto do salsichão. Frequento uma cantina italiana só pela sua mesa de antepasto - me sirvo de um pouco de tudo, e tudo é tanto que, quando chega a hora de pedir a massa, acabo pedindo a conta. Em festa de casamento e aniversários, só me interessam os canapés. Uma pulsão pré-histórica de comer com as mãos. Tem até um nome chique pra isso: finger food. Ou: como ser fina sem usar o garfo e a faca. O fato é que tudo é "principal" na minha vida (filhos, trabalho, viagens, amigos, amores, solitude), só que a sociedade não perdoa essa horizontalidade e nos induz a pensar que, se tudo é principal, nada é. Lamento, sociedade. Tudo me importa, tudo me é essencial, e, ao mesmo tempo, a tudo relativizo, pois somos efêmeros, provisórios. Um dia irei morrer de alguma coisa, então gargalho, danço, amo, me comovo, abraço a vida e a provo desse jeito, aos bocadinhos, com o que os meus dedos conseguem pegar. Dispenso o prato de pedreiro, estou mais para um piquenique, um buffê de frios e acordar leve na manhã seguinte (ok, delete a imagem do salsichão). O assunto aqui, na verdade, é estado de espírito e transcendência, essas coisas abstratas e pretensamente filosóficas que introduzi em um texto que finge estar falando de comida e que talvez faça o leitor se perguntar: mas o que foi que ela bebeu? Nada, deixe pra lá. Estou apenas divagando sobre a importância de facilitar a digestão neste mundo que tem me caído tão mal no estômago. Autora: Martha Medeiros - GZH (adaptado)
A autora do texto mistura elementos concretos e abstratos para refletir sobre sua própria maneira de viver. Sobre isso, analise as assertivas: I. A expressão finger food (l.33) é utilizada pela autora como uma representação de simplicidade e informalidade nas suas escolhas. II. A referência ao pão com alho (l.25) e ao salsichão (l.26) atribui um tom descontraído e bem-humorado ao texto. III. A autora rejeita totalmente a importância dos pratos principais como metáfora para rejeitar responsabilidades maiores na vida. Está(ão) CORRETA(S):
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



